Ryanair quer voar entre Europa e EUA até 2020

"As tarifas mais baixas começarão em 10 euros/10 dólares", garante a empresa

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A maior low cost da Europa voltou a assegurar o seu interesse em tornar-se também a low cost transatlântica. O patrão da Ryanair já tinha prometido que um dia a companhia realizaria esse sonho por um preço mínimo irrisório: os tais dez euros. Agora, o conselho de administração da empresa aprovou os planos de negócios para os próximos anos e estes incluem o desenvolvimento da meta transatlântica.

Na declaração oficial enviada às redacções não consta o valor que serve de chamariz viral ao projecto. Questionámos a chefe de comunicações da Ryanair se é mesmo possível um preço tão baixo. À Fugas, Robin Kiely respondeu com um contundente "as tarifas mais baixas começarão em €10/$10". Um valor que muitos consideram impossível (e que, no final, deverá ter que ser multiplicado por dez, no mínimo dos mínimos), já que só em taxas os custos são na ordem da centena (ou centenas) de euros.

"O conselho de administração da Ryanair", refere a companhia, "aprovou os planos de negócios para o crescimento futuro, incluindo transatlântico". "Estamos em conversações com fabricantes sobre aparelhos de longo curso", admitem, acrescentando, porém, que não podem "fazer mais comentários" sobre o tema.

"Os consumidores europeus querem viagens mais baratas para os EUA e o mesmo para os americanos que querem visitar a Europa. Vemo-lo como um desenvolvimento lógico no mercado europeu", lê-se no comunicado, onde até se antecipam os primeiros planos: "gostaríamos de oferecer voos de baixo custo entre 12-14 cidades" europeias e norte-americanas. Aparentemente, tudo dependerá apenas de um bom negócio na "aquisição de aparelhos de longo curso viáveis", sendo possível, então, haver voos transatlânticos low cost "dentro de quatro a cinco anos". Entre os destinos incluídos no mapa transatlântico estariam Nova Iorque, Chicago ou Boston; Londres, Berlim ou Dublin.

O mercado de voos a "baixo custo" entre a Europa e a América do Norte tem tentado levantar voo ao longo dos anos mas sem grande sucesso. Já houve uma companhia canadiana, a Zoom Airlines, com uma ligação a metade do preço do habitual mas durou pouco. Actualmente, a Norwegian (sob a chancela Air Shuttle), de Oslo, liga Londres aos EUA com bilhetes anunciados como low cost: desde o Verão que promete passagens em redor dos 250 euros por trajecto. Um preço muito atractivo (embora, claro, seja um "desde"...) que fica "apenas" a 240 euros acima do prometido pela Ryanair.

De Portugal, destinos como Nova Iorque ou Miami estiveram recentemente em promoção na TAP, numa campanha com datas e condições limitadas, pelo preço mínimo de 550 euros ida-e-volta. Mas esse valor, em compra normal, pode subir centenas de euros.

Já no passado, o patrão da Ryanair, Michael O'Leary, tinha garantido que um dia haveria voos transatlânticos a “preço da chuva”. Não se pense, porém, num avião cheio de passageiros a pagar apenas os célebres dez euros. "Nem todas as passagens serão a dez euros, claro", referia O'Leary: "Haverá também a necessidade de ter um grande número de lugares de executiva ou premium". Na mesma altura, o chefe da IAG (dona da British Airways e Iberia), Willie Walsh, comentava que tais preços eram impossíveis, até por causa das taxas obrigatórias. Em relação à proposta low cost da Ryanair, Walsh dizia esperar que as pessoas "saibam ler nas entrelinhas".