Mil europeus por dia são infectados com tuberculose

Relatório conjunto da Organização Mundial da Saúde e do Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças divulgado esta terça-feira

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Bacilo da tuberculose, uma doença contagiosa que se transmite pelos espirros e tosse NIAID

Na Europa, mil pessoas por dia ficaram infectadas com tuberculose em 2013. Como o progresso no combate à doença tem sido lento e há resistência aos medicamentos, esta batalha só deverá ser ganha na região no século XXII, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC). Tendo em conta as taxas actuais de incidência, a Europa tem assim poucas hipóteses de erradicar a tuberculose em 2050, conclui um relatório conjunto da OMS e do ECDC publicado esta terça-feira sobre a situação em 2013.

“A tuberculose multirresistente aos fármacos ainda está a devastar a região europeia, tornando-a a área mais afectada do mundo inteiro”, disse Zsuzsanna Jakab, directora regional da OMS, citada num comunicado conjunto das duas instituições.

A tuberculose, uma doença pulmonar contagiosa provocada por uma bactéria, é difícil de tratar, exige meses de tratamentos e as estirpes resistentes estão a ganhar terreno. Em todas as suas formas, matou cerca de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo em 2013 e a OMS já tinha alertado, no ano passado, de que a tuberculose multirresistente tinha atingido o “nível de crise”.

Nos 31 países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu (EEE, os 28 Estados-membros da UE, mais a Islândia, Liechtenstein e Noruega), foram relatados 65.000 casos de tuberculose em 2013, enquanto os casos totais nos 53 países europeus cobertos pela OMS atingiram os 360.000, refere o relatório.

“Ao ritmo actual de um declínio anual de 6%, a UE e o EEE só ficarão livres de tuberculose no próximo século”, frisou Marc Sprenger, director do ECDC, com sede em Estocolmo (Suécia). Para a Europa atingir a eliminação — menos de um caso por um milhão de habitantes por ano — em 2050, teria de reduzir o número de casos duas vezes mais depressa do que agora, acrescentou. “Os nossos dados mostram que a Europa necessita de intervenções à medida das especificidades de cada país.”

Na maioria dos países onde a tuberculose é relativamente rara, as taxas estão estáveis ou a descer muito devagar, especificou Sprenger. Os países com mais tuberculose têm as taxas maiores de reinfecção e relatam mais casos de multirresistência.