José Viterbo foi da bancada para o banco e pôs a Académica a ganhar

Com dez pontos em quatro jogos, a equipa de Coimbra ressuscitou na I Liga sob a liderança do treinador que é “academista ferrenho”

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José Viterbo tem recebido forte apoio da massa associativa da Académica Académica/OAF

Desde o primeiro momento que não restaram dúvidas: com a chegada de José Viterbo, os adeptos da Académica teriam um deles no banco de suplentes a orientar a equipa. “Hoje sou treinador do meu clube, da equipa da Académica”, afirmou o técnico de 52 anos, na véspera da estreia. No mesmo dia, na rede social Facebook, Viterbo publicou uma fotografia com as palavras “Vamos a isto!” a acompanhá-la. Na imagem viam-se milhares de adeptos da “Briosa” que no dia 20 de Maio de 2012, no Jamor, assistiram à vitória sobre o Sporting na final da Taça de Portugal (1-0). No banco de suplentes, como na bancada, Viterbo é um deles.

O escolhido para assumir o leme da Académica após a saída de Paulo Sérgio pode ser um nome desconhecido no panorama nacional, mas em Coimbra é reconhecido como um homem da casa. Após somente quatro partidas, tornou-se no paradigma da “chicotada psicológica” bem-sucedida: pegou na equipa à 22.ª jornada, com a “Briosa” em zona de despromoção – era penúltima, com 15 pontos e apenas uma vitória em 21 partidas – e três semanas depois o panorama é de relativa tranquilidade. A Académica somou dez pontos, estreou-se a ganhar em casa e respira mais folgadamente na tabela. Viterbo é um fenómeno de popularidade: “Tendo em conta o elevado número de solicitações”, o técnico teve de criar um novo perfil no Facebook.

A paixão pelas camisolas “negras” fez sempre parte da vida de José Viterbo, que jogava a guarda-redes nas camadas jovens da Académica. Já como técnico, 15 dos 25 anos de carreira foram passados ao serviço da “Briosa”, nos escalões de formação. Porém, até ao início desta temporada (quando voltou a “casa” para comandar a equipa sub-23 da Académica), tinha orientado emblemas das divisões inferiores na região de Coimbra. Entre 2011-12 e 2013-14 treinou o Eirense, do primeiro escalão distrital. “É preocupado com todos à sua volta. Vive bastante o seu trabalho e é muito empenhado”, recordou ao PÚBLICO a presidente do clube, Catarina Crisóstomo.

“Quando chegou ao Eirense foi bastante claro. Se tivesse algum convite para regressar à Académica, regressaria. A paixão é evidente e foi honesto a esse respeito”, acrescentou Catarina Crisóstomo, lembrando a conversa que teve com José Viterbo quando soube que o técnico ia liderar a equipa principal da Académica: “Disse-lhe que vai correr bem. Como ‘academista’ ferrenho que é, vai levar as coisas a bom porto.”

Viterbo não está só a viver um sonho. Está a fazer sonhar: “É um momento especial, que marca claramente a minha vida. Durante muitos anos, para além de ser treinador fui um adepto. E serei sempre um adepto da Académica.”