Torne-se perito

Investigação conclui que Harper Lee não foi manipulada

Denúncias anónimas sugeriam que a autora de Mataram a Cotovia (1960), de 88 anos, teria sido pressionada pela advogada para autorizar a publicação de Go Set a Watchman, um romance escrito nos anos 50 e cuja existência só agora foi revelada.

Harper Lee a ser condecorada por George W. Bush em 2007
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Harper Lee a ser condecorada por George W. Bush em 2007

Uma investigação oficial concluiu que a escritora Harper Lee, autora do célebre romance To Kill a Mockingbird (1960) – Mataram a Cotovia, na edição portuguesa da Relógio D’Água –, não foi indevidamente pressionada a publicar Go Set a Watchman, uma sequela da obra que a celebrizou, mas que foi escrita antes, e que a autora, hoje com 88 anos, manteve na gaveta durante mais de meio século.

O original de Go Set a Watchman – no qual Scout Finch, o filho do advogado Atticus Finch, protagonista de Mataram a Cotovia, regressa à sua povoação natal, no Alabama, para visitar o pai – foi descoberto em Agosto do ano passado pela advogada de Lee, Tonja Carter, entre os papéis da escritora. Carter negociou a publicação do livro, cujo lançamento está previsto para 14 de Julho, com a editora HarperCollins, e garantiu que o fez com a autorização da autora, que teria ficado “muito satisfeita” com a descoberta.

Mas não tardaram a surgir rumores de que as faculdades mentais de Lee estariam muito diminuídas e que a advogada, aproveitando-se dessa fragilidade, estaria a manipular indevidamente a escritora, que após ter sofrido um AVC em 2007 trocou a sua casa de Nova Iorque por um lar de idosos na povoação onde nasceu: Monroeville, no Alabama.

Alertada por uma ou mais denúncias anónimas de que a escritora estaria a ser vítima de abuso, um organismo estadual destinado a prevenir fraudes contra idosos, a Alabama Securities Comission (ASC), abriu uma investigação, tendo ouvido a própria Harper Lee e questionado funcionários do lar de Monroeville, e ainda amigos e conhecidos da autora.

Joseph Borg, director da ASC, diz que Lee “respondeu satisfatoriamente” às questões que lhe foram colocadas pelos investigadores e afirma-se convencido de que a escritora quer mesmo ver o livro publicado. E Tonja Carter diz que a própria Harper Lee se sentiu “extremamente magoada” pelas alegações de que estaria ser manipulada.

Uma das denúncias partiu de um médico que não se quis identificar, e do qual Harper Lee nunca foi paciente, mas que conhece a escritora há muitos anos. O médico assumiu numa entrevista que tinha contactado os serviços de protecção de idosos do Alabama – pedindo ao Estado que investigasse se Lee estaria em condições de poder ter dado um consentimento consciente à publicação de Go Set a Watchman – depois de ter sabido por uma pessoa em quem confia que a escritora deixara praticamente de comunicar após a morte da irmã. Alice Lee, que morreu centenária em 2014, foi advogada da irmã quase até ao fim da vida.

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