Luís Montenegro diz que portugueses não merecem um PS "adiado"

Líder parlamentar do PSD critica adiamento do programa socialista para 6 de Junho.

Montenegro desafia Seguro a dizer que alternativa existe à opção do Governo
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Luís Montenegro diz que o PSD está “plenamente disponível para um diálogo construtivo” Miguel Madeira

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, disse esta quinta-feira que os portugueses não merecem um PS "adiado" até ao dia 6 de Junho - data que António Costa apontou como entrega do programa eleitoral - e acusou o secretário-geral socialista de "tacticismo político" por evitar confrontar ideias.

"Nós já sabíamos que o doutor António Costa fala consoante os públicos que tem e agora também ficamos a saber que fala consoante o interesse mais partidário que tem", afirmou à Lusa o presidente da bancada social-democrata, reagindo às posições assumidas pelo líder socialista em entrevista à RTP, na quarta-feira à noite, onde anunciou aquela data.

Para Luís Montenegro, que falava à margem de uma visita ao Porto de Sines, António Costa está a evitar "confrontar" as suas ideias com as dos outros partidos, "eventualmente" para "não se desgastar".

"Quem tem ideias, quem pensa estrategicamente o país, não deve ter vergonha de as apresentar", referiu, defendendo que os "portugueses merecem que o Partido Socialista vá tomando parte de um debate que é importante" sobre o futuro do país.

António Costa anunciou na quarta-feira à noite que apresentará o programa de Governo do PS a 6 de Junho e o cenário macroeconómico de base já no final deste mês.

O líder socialista assegurou que "ninguém irá votar sem saber os compromissos que o PS assume" e defendeu que antecipar o programa político seria "pôr o carro à frente dos bois" e fazer um "favor ao Governo".

Luís Montenegro afirmou que "mais significativo" do que o PS apresentar um programa eleitoral, é o facto de o mesmo estar a ser construído pelos "principais responsáveis pela orientação política dos governos" de José Sócrates.

O social-democrata antevê que o projecto político do PS "andará, mais coisa, menos coisa, muito próximo daquele que pontuou nesse período", o qual dirigiu Portugal "para a situação de pré-bancarrota" e determinou a necessidade de ajuda externa.

Na entrevista, o secretário-geral do PS criticou a política de austeridade e defendeu a promoção do investimento e a reposição dos cortes salariais feitos aos trabalhadores do sector público, bem como uma redução do IVA da restauração para a taxa intermédia de 13%.

Montenegro espera, por isso, que António Costa explique, por exemplo, como pretende repor na totalidade os salários na Administração Pública, algo que o Governo planeia fazer, de forma faseada, até 2018, uma vez que duvida de que tal possa ser feito "de um dia para o outro.

"O doutor António Costa não gosta menos de austeridade do que nós", disse, mas recusou um crescimento económico "comprado com dívida e despesa pública", o que seria uma "factura para o futuro".

O crescimento defendido pelo PSD é, segundo Montenegro, "baseado no suor, no trabalho dos portugueses", exemplo que disse ter encontrado no Porto de Sines, onde esteve no âmbito de um conjunto de visitas que está a realizar a todos os círculos eleitorais.

O presidente da bancada social-democrata manifestou-se "convencido" de que os portugueses, após compararem os modelos de ambos os partidos e conhecendo os respetivos resultados "vão renovar a maioria absoluta que o PSD e o CDS têm no parlamento".