Concorrência dá luz verde à compra da Serraleite pela Jerónimo Martins

Grupo que detém o Pingo Doce vai investir na produção de leite e avança para a compra da fábrica de transformação da cooperativa de Portalegre.

Pedro Soares dos Santos vai aumentar investimentos no sector agrícola
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Pedro Soares dos Santos Rui Gaudêncio

A Autoridade da Concorrência (AdC) deu luz verde à operação de concentração entre a Serraleite e a Jerónimo Martins. O grupo que detém os supermercados Pingo Doce vai comprar a fábrica de transformação de leite e de produção de derivados desta cooperativa de produtores de Portalegre, num negócio que passa, para já, pelo trespasse destes activos.

Em comunicado, a AdC diz que o negócio “não é susceptível de criar entraves significativos à concorrência efectiva nos mercados da aquisição de leite cru, em Portugal Continental, cuja exacta definição é deixada em aberto, da produção e comercialização de leite UHT, cuja exacta delimitação geográfica é deixada em aberto, e da produção e comercialização de natas, cuja exacta delimitação geográfica é também deixada em aberto”.

Os principais operadores da grande distribuição têm investido cada vez mais na área da produção, criando clubes e organizando fornecedores que têm de cumprir regras específicas. A Jerónimo Martins há muito que tem planos para investir directamente na agricultura e, em 2009, fez um acordo com a Serraleite para reforçar a produção. A cooperativa é um dos principais fornecedores da cadeia de supermercados Pingo Doce e, na altura, Pedro Soares do Santos, presidente executivo, admitiu que a sua visão para o projecto conjunto era criar uma “Lactogal II”, empresa que detém a marca Mimosa e domina o mercado do leite. Mais tarde, em 2012, o grupo justificou a entrada neste sector “com a necessidade de proteger as fontes de abastecimento”.

Durante a apresentação dos resultados financeiros de 2014, há pouco mais de uma semana, Pedro Soares dos Santos voltou a frisar que a intenção da empresa é investir noutros negócios do sector agrícola, nomeadamente no peixe e na carne. A Jerónimo Martins Agroalimentar é uma sub-holding e “tem de crescer”. “Não foi criada para uma fábrica de leite”, disse, não querendo avançar mais detalhes sobre novos investimentos. “Tenho muita coisa em vista, mas fica só para mim”, acrescentou.

A compra por trespasse da fábrica da Serraleite (que inclui os seus trabalhadores) permite à Jerónimo Martins gerir a operação de transformação de leite até a nova fábrica estar pronta, o que deverá acontecer no primeiro trimestre de 2017. O grupo vai investir 40 milhões de euros no aumento da capacidade produtiva de leite UHT, manteiga e natas e garante que “o escoamento da produção leiteira dos actuais associados da cooperativa estará assegurado”. A Serraleite também vai ter uma participação no capital da Jerónimo Martins Lacticínios.

A cooperativa recolhe anualmente 20 milhões de litros na região do Alentejo, o que equivale a 1% do total da recolha nacional.