Epidemia do ébola já fez mais de 10.000 mortos

Última estimativa da Organização Mundial da Saúde mostra que a febre hemorrágica já afectou, ao todo, 24.350 pessoas.

Foto
Pessoal médico protege-se na Guiné-Conacri Cellou Binani/AFP

A epidemia de ébola que atinge a África Ocidental desde Dezembro de 2013 já matou mais de 10.000 pessoas, de acordo com um relatório divulgado nesta quinta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS), avançam as agências.

Com 4162 mortes, a Libéria é o país mais atingido. A Serra Leoa teve 3655 mortos e a Guiné-Conacri conta com 2187 mortos. O vírus do ébola, que causa uma febre hemorrágica, ainda atingiu em 2014 o Senegal, a Nigéria e o Mali, mas foi contido nestes países. Houve ainda alguns casos nos Estados Unidos, na Espanha e no Reino Unido. Contas feitas, 24.350 pessoas foram afectadas pela doença e 10.004 morreram, segundo a agência AFP, que cita a OMS. O relatório contém dados até 10 de Março.

Este é o pior surto de sempre desde que esta doença surgiu em 1976 no antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo. Os primeiros casos surgiram no Sul da Guiné-Conacri em Dezembro de 2013. Mas o surto só começou a chamar atenção a partir de Março de 2014. Na Libéria, os primeiros casos só surgiram no final de Março e só em Maio é que a epidemia chegou à Serra Leoa.

Nos meses seguintes houve momentos em que o surto pareceu estar controlado, mas o débil sistema de saúde daqueles três países deixou que a epidemia avançasse. E só a 8 de Agosto é que a OMS declarou que a epidemia era uma emergência de saúde pública de âmbito internacional.

Nas semanas seguintes, vários países foram sendo tocados pelo vírus. No início de Outubro, em Espanha, uma mulher que cuidou de um médico e missionário espanhol que apanhou ébola na Serra Leoa ficou a saber que também tinha contraído a doença. Nos Estados Unidos, duas enfermeiras adoeceram com ébola em Outubro depois de tratarem um cidadão vindo da Libéria, que só começou a apresentar os sintomas nos EUA. Todas estas situações foram controladas.

Nos três países da África Ocidental, o pessoal da área da saúde, que tem estado na primeira linha de defesa, tem sido especialmente afectado pelo vírus, devido às limitadas condições de trabalho. A França, Alemanha, Itália, Holanda, a Noruega ou a Suíça também retiraram pessoal médico infectado com o vírus, para ser tratado em melhores condições.

Ainda assim, casos como o da Nigéria – o país mais populoso da África –, que teve 20 pessoas infectadas com ébola em Julho (devido a um viajante doente vindo da Libéria), mostram que é possível extinguir rapidamente um surto quando se isola e trata os doentes, quando se monitoriza as pessoas que estiveram em contacto com aqueles doentes e quando se informa o resto da população.