Presidente recusa “envolver-se nas polémicas político-partidárias”

Cavaco apela aos partidos para se "unirem no combate ao desemprego".

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Cavaco Silva Tiago Machado

Pela segunda vez, o Presidente da República classificou o caso das dívidas do primeiro-ministro à Segurança Social como “polémica político-partidária”. Em Ourém, no final de uma jornada sobre a floresta, Cavaco Silva foi esta quarta-feira questionado pelos jornalistas sobre o debate que tinha acabado de terminar no Parlamento, e respondeu na terceira pessoa.

“Um Presidente da República de bom senso não deve envolver-se nas polémicas político-partidárias. As minhas preocupações estão voltadas para a criação de emprego, o combate à pobreza, a competitividade da economia, o estímulo à investigação”, frisou. 

E apesar do clima de confronto entre a maioria e a oposição no Parlamento, onde o BE e Os Verdes defenderam que o primeiro-ministro “não tem condições” para se manter no cargo, Cavaco insistiu no apelo ao consenso: “Convido os partidos políticos a unirem-se e trabalharem no combate ao desemprego. Este é o principal problema do país. Não há nenhum, nenhum que ultrapasse este problema”. E prosseguiu pedindo consenso para se enfrentarem os outros assuntos que enumerou.

Perante a insistência dos jornalistas, Cavaco manteve o registo: “O Presidente da República nunca comenta declarações de outros partidos”. “O chefe de Estado está acima dos partidos políticos”. Interrogado sobre se o primeiro-ministro devia um pedido de desculpas aos portugueses, insistiu: “Nem agora nem no futuro irei interferir na vida político-partidária”.