Costa considera estar “tudo esclarecido” sobre contribuições de Passos

Líder socialista assegura que o “PS tem um enorme potencial de crescimento” até às eleições. E marcou para 6 de Junho a apresentação do seu programa.

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António Costa deu entrevista à RTP Nuno Ferreira Santos

Já no final da entrevista, o secretário-geral do PS fez, finalmente, luz sobre a razão por que reagira de forma tão intempestiva às perguntas de uma jornalista que o questionara no meio da rua, vinda “detrás de um carro”, sobre a situação da carreira contributiva do primeiro-ministro. Afinal, António Costa, tem uma “reacção visceral” de cada vez que se vê envolvido perante aquilo que apelidou de “política de casos”.

Nesta quarta-feira, em entrevista à RTP, o socialista fez o esforço de comentar de forma mais reflectida sobre a polémica que tem perseguido Passos Coelho. António Costa deu a entender não ter já dúvidas ou questões a colocar ao chefe do Governo. “Está tudo esclarecido e quanto mais o primeiro-ministro fala, menos esclarece”, disse no Largo do Rato.

Sem dar o assunto por encerrado, o líder do maior partido da oposição optou por frisar que ainda estava para chegar o verdadeiro momento em que o social-democrata seria avaliado pelo seu comportamento. “Acho que o caso está bem entregue, está entregue nas mãos dos portugueses. Tenho a convicção profunda que os portugueses perceberam tudo o que se passou e agirão em conformidade", declarou, numa alusão às próximas eleições legislativas”.

Para António Costa, o juízo final a Passos acontecerá, portanto, daqui a uns meses, com as eleições legislativas. Até porque nenhuma das três entidades com poder para demitir o chefe do Governo – o próprio, a maioria parlamentar ou o Presidente – estavam disponíveis para tal.

A ameaça velada a Passos Coelho surgiu já no final da entrevista que permitiu ao socialista rever as suas posições sobre a política de austeridade, a situação europeia e grega, as suas propostas já anunciadas e até tentar justificar porque não conseguia descolar nas sondagens.

“O PS tem enorme potencial de crescimento”, disse o autarca, depois de garantir que a maioria já tinha atingido máximo possível de intenções de voto:  “A maioria deixou de ser maioria, a direita unida não bate o PS e a direita atingiu o máximo." A esperança nos meses de campanha foi expressa quando afirmou que o seu partido estava “a fazer o nosso [PS] caminho”. E colocou alguns marcos nesse percurso: apontou para o final do mês a apresentação do cenário macro-económico que havia solicitado a um grupo de 11 economistas e o dia 6 de Junho para a revelação do programa eleitoral.

Nele estará a política de emprego “dirigida aos jovens” por forma a facilitar a sua “integração no tecido empresarial”. E medidas para enfrentar o desemprego de longa duração para a geração mais velha. Ou a redução da taxa do IVA na restauração para a taxa intermédia de 13%, além do aproveitamento dos vistos Gold para financiar um fundo de capitalização de empresas. O programa de reabilitação urbana voltou a ser referido, mas com a ressalva de que seriam as PME de construção as beneficiárias. “A construção não tem de ser só grandes infra-estruturas”, disse.

O socialista abordou também a questão do défice para defender que a sua redução devia ser ajustada ao ciclo económico: "Quando crescemos menos, cortamos menos, quando crescermos mais, poupamos mais."