Casos políticos e ruído não fazem bem ao país, avisa Poiares Maduro

Ministro Adjunto afirma que caso das dívidas de Passos Coelho à Segurança Social não desgastam o Governo nem faz sentido pensar em demissão.

Poiares Maduro em visita a uma unidade de transformação de carnes
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Poiares Maduro em visita a uma unidade de transformação de carnes Rui Gaudêncio
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Desvalorizar parece ser agora a palavra de ordem no Governo sobre a polémica da Segurança Social. A classificação de caso político que o Presidente da República deu ao assunto está a fazer escola. Para o ministro-adjunto Miguel Poiares Maduro, “o ruído, o barulho e todos os casos políticos que surgem nunca são bons. E não é para o Governo. Nunca são bons para o país”.

O governante considera que a polémica das dívidas e atrasos de pagamentos de contribuições fiscais e à Segurança Social de Passos que se arrasta há semana e meia “não está” a desgastar a imagem do Governo. E também “não se coloca nem faz qualquer sentido” pensar numa demissão do primeiro-ministro devido a este caso.

“Nada daquilo que é conhecido [o justifica], independentemente do próprio primeiro-ministro ter reconhecido que nem ele é uma pessoa perfeita, nem há portugueses perfeitos”, apontou Miguel Poiares Maduro, desculpabilizando o chefe do Governo: “As circunstâncias que se verificaram relativamente a ele verificam-se em relação a milhares de outros portugueses. E nada disso coloca em causa – e isso é o fundamental – a integridade moral e a honestidade do sr. primeiro-ministro. Penso que isso é claro para todos os portugueses, como é claro para mim.”

O ministro recusa mesmo comentar as declarações tanto do Presidente da República como do líder do PS e prefere olhar para o lado, para aquilo que considera que o país deveria estar a discutir, em vez de se perder em questões destas.

“O que é importante é que o país se concentre naquilo que é fundamental para ganharmos os desafios que temos para o futuro. Nós iniciámos uma recuperação económica importante, que assenta em bases diferentes do passado, ou seja, num crescimento económico sustentável, com cada vez maior capacidade exportadora”, defendeu Miguel Poiares Maduro quando questionado pelos jornalistas em Gimonde, Bragança, onde inaugurou as novas instalações de transformação de carnes da Bísaro, uma salsicharia tradicional.

A empresa, já com 80 anos, fez um investimento recente de cerca de um milhão de euros, 230 mil euros dos quais vieram do Proder. O objectivo é conseguir duplicar a facturação a médio prazo – no ano passado fez 2,5 milhões de euros. A Bísaro fornece grandes superfícies nacionais e exporta para França, Inglaterra e Noruega essencialmente produtos premium, como o presunto de longa cura (mais de 24 meses).

Foi uma repetição de Poiares Maduro na empresa, que a considera um exemplo do que o Governo pretende para o próximo quadro comunitário. O Portugal 2020 encaminhará “mais de 40% da sua verba para a competitividade das pequenas e médias empresas. Essa tem que ser uma competitividade inteligente, partindo da valorização destes recursos endógenos, acrescentando conhecimento, inovação, empreendedorismo a actividades económicas tradicionais”.

“É fundamental escolher que modelo de crescimento económico e social pretendemos: como o que tivemos no passado em que, mesmo quando crescemos, crescemos com desequilíbrios externos que, mais tarde ou mais cedo, geraram a necessidade de o país necessitar de auxílio internacional. Ou se queremos crescer com sustentabilidade como estamos hoje a conseguir, com um modelo económico com mais capacidade de exportar, que diminui o endividamento e assegura que a recuperação é feita em bases sustentáveis”, descreveu o ministro.

E não se coibiu de deixar uma indirecta: “É nesse debate que o país se deve concentrar e é para isso que todos os agentes políticos têm de contribuir.”

Apesar desta tentativa do ministro-adjunto, será certo que o assunto vai dominar o debate quinzenal desta quarta-feira à tarde no Parlamento, local que foi considerado pelo PSD como o ideal para o esclarecimento do assunto, segundo apontou há dias o líder parlamentar Luís Montenegro.

De acordo com informação da página da Assembleia da República, o debate é (como quase sempre) sobre “questões de relevância política, económica e social”. Pela ordem definida, será o PS o primeiro partido a questionar Pedro Passos Coelho no debate, seguido pelo PCP, que logo no sábado afirmou não estar esclarecido com as explicações que o primeiro-ministro tinha enviado por escrito ao Parlamento.