Paulo Azevedo substitui Belmiro de Azevedo à frente de todos os negócios da família

Grupo testa gestão bicéfala na presidência da Sonae Indústria, onde Moreira da Silva volta a assumir maiores responsabilidades.

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Paulo Azevedo, presidente da Sonae, reforça remuneração aos accionistas. Daniel Rocha

Em dois comunicados enviados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Efanor propõe a nomeação de Paulo Azevedo, actualmente com 49 anos, para o cargo de chairman da Sonae Indústria e da Sonae Capital, cargos que acumulará com a presidência da Sonae SGPS (dona do PÚBLICO).

Mas a solução proposta por Belmiro de Azevedo tem mais uma inovação. Depois da co-presidência da comissão executiva da Sonae SGPS, por Paulo Azevedo e Ângelo Paupério, a presidência da Sonae Indústria também será repartida com um ex-homem-forte da empresa. Paulo Azevedo será o chairman, mas será coadjuvado por Carlos Moreira da Silva, que assumirá o cargo de vice-chairman executivo, um cargo que não existia.na actual configuração do poder

A solução agora proposta marca o regresso, em força, de Moreira da Silva à Sonae Indústria, empresa que liderou em vários períodos e que enfrenta uma profunda reestruturação financeira e de negócios. A presidência da comissão executiva da holding industrial do grupo continuará confiada a Rui Correia.

Na Sonae Capital, Cláudia Azevedo, também filha de Belmiro de Azevedo, mantém-se como CEO da holding. A gestora é também administradora da Nos.

As propostas agora avançadas pela Efanor terão de ser votadas nas assembleias gerais das três holdings, marcadas para o final de Abril, mas dada a posição de controlo accionista do empresário têm aprovação garantida.

A saída de Belmiro de Azevedo de cargos de direcção do grupo era esperada, mas as soluções bicéfalas na comissão executiva da Sonae SGPS e da presidência da Sonae Indústria constituem uma inovação - embora haja casos, no estrangeiro, onde tal acontece, como é o caso do Deutsche Bank. Ainda assim, as alterações não surpreenderam o mercado, que as considera “naturais”.

A alteração mais profunda, a da Sonae SGPS, pela dimensão dos negócios, não mereceu comentários qualificativos nos relatórios diários que os bancos nacionais fizeram esta terça-feira para os seus clientes com investimentos na bolsa. A notícia é referida nos relatórios da Caixa BI, BCP Investimentos, BPI ou Novo Banco, mas sem as habituais considerações sobre o impacto nas acções.

José Mota Freitas, analista da Caixa BI, disse ao PÚBLICO, antes de serem conhecidas as alterações na Sonae Indústria e na Sonae Capital, que “a sucessão no grupo Sonae está estabilizada e não se esperam sobressaltos”. O analista, que acompanha a Sonae SGPS e a Sonae Capital, explica a ausência de comentário no seu relatório diários pelo facto da “promoção“ de Paulo Azevedo ser mais do que aguardada.

Sobre a solução bicéfala na Comissão Executiva considera que é um prolongamento de uma colaboração muito próxima entre os dois gestores –Paulo Azevedo e Ângelo Paupério – que já existe há longa data. Sustenta que, em face do número alargado de negócios que a holding concentra, designadamente as telecomunicações, distribuição, retalho especializado e centros comerciais, a solução proposta justifica-se.

José Mota Freitas admite, no entanto, que é uma originalidade, para logo acrescentar que a Sonae sempre gostou de surpreender. Um outro analista, que falou sobre anonimato, também admitiu que o mercado tinha incorporado a saída de Belmiro de Azevedo e a assunção de maiores responsabilidades por Paulo Azevedo.

Em novo processo de passagem de testemunho dentro da Sonae  - o primeiro foi a entrega da presidência da comissão executiva a Paulo Azevedo, em 2007, - só falta esclarecer o que é que Belmiro de Azevedo vai fazer no futuro. Tudo indica que a revelação será feita hoje, numa cerimónia a realizar na sede da Maia, para assinalar os 50 anos de ligação do empresário à Sonae. A expectativa é grande, até porque fonte do grupo garantiu ao PÚBLICO que o empresário “não ficará quieto e que o país ficará a ganhar”.

As acções da Sonae SGPS encerraram em queda de 2,35%, um comportamento que os dois analistas contactados pelo PÚBLICO desvalorizaram, dada a forte queda do mercado em geral, que arrastou o PSI-20 para uma queda de 2,35%.