Sonda Dawn já está em órbita de Ceres

Nesta sexta-feira, uma sonda da NASA entrou em órbita de um planeta-anão situado na cintura de asteróides, entre Marte e Júpiter.

Ceres já teve o estatuto de planeta e asteróide, hoje é um planeta-anão
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Ceres já teve o estatuto de planeta e asteróide, hoje é um planeta-anão NASA

Nesta sexta-feira às 12h39 (hora de Lisboa), a sonda Dawn, da NASA, foi capturada pela gravidade de Ceres, entrando em órbita deste planeta-anão na cintura de asteróides, entre Marte e Júpiter. É a primeira vez que uma sonda orbita um planeta-anão. Nos próximos meses, o aparelho vai estudar a superfície e o interior deste corpo celeste para aprofundar o que se sabe sobre a formação dos planetas, no início do sistema solar, há cerca de 4500 milhões de anos.

“Desde a sua descoberta em 1801, Ceres foi primeiro chamado planeta, depois asteróide e, mais tarde, planeta-anão”, disse Marc Rayman, director da missão, do Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL), da NASA. “Agora, depois de uma viagem de 4900 milhões de quilómetros e 7,5 anos, a Dawn chama-o lar”, enfatizou, num comunicado da NASA.

A notícia da chegada só foi conhecida às 13h36, quando no JPL se receberam os primeiros sinais da Dawn, que está agora a 61.000 quilómetros de distância do planeta-anão, no lado não iluminado pelo Sol.

A sonda de 1,64 metros de comprimento e 1217 quilos partiu da Terra em 2007. E primeiro, na cintura de asteróides, visitou Vesta, entre Agosto de 2011 e Maio de 2012, onde analisou a sua superfície e o seu interior com três aparelhos (uma câmara, um detector de raios gama e de neutrões, e um espectrómetro). Depois, dirigiu-se a Ceres. Agora, vai ter a oportunidade de estudar a estrutura interna, a densidade, a massa e o campo gravítico deste planeta-anão, bem como a sua evolução térmica e o papel da água na sua geologia.

Tanto Ceres como Vesta iniciaram os processos de diferenciação geológica comuns aos outros planetas, mas devido ao seu tamanho (Vesta tem 525 quilómetros de diâmetro e Ceres tem 975 quilómetros) não foram mais longe. Com os novos elementos, obtidos nos próximos meses pela Dawn, e com os já recolhidos em Vesta, os cientistas vão poder ter uma ideia mais rigorosa do que aconteceu durante o início da formação dos planetas.