NOS já tem 29% dos clientes com serviços convergentes

Empresa promete continuar a investir em fibra em 2014, para chegar a mais 200 mil casas.

Operadores de TV e telecomunicações dizem que as exigências da lei são desproporcionadas perante o contexto actual de crise
Foto
A receita média mensal das empresas com cada cliente subiu 5% para 42,28 euros JOSÉ sARMENTO mATOS

Cerca de 29% dos clientes fixos da NOS já são clientes com mais de um serviço. A “aposta forte na convergência” traduziu-se no ano passado num crescimento de mais 400 mil serviços, o que eleva o total de serviços convergentes comercializados pela NOS para mais de 1,853 milhões. “A meta de 30% na convergência era um objectivo a médio prazo, para 2017, que quase atingimos no primeiro ano”, sublinhou o administrador financeiro da NOS, José Pedro Pereira da Costa, na apresentação de resultados anuais da empresa.

Em média, explicou o gestor, cada lar tem TV, banda larga, voz fixa e dois cartões móveis. Com o crescimento dos serviços convergentes, a receita média mensal por cliente (ARPU) no fixo residencial subiu 9,8%, para 39,8 euros.

“Partimos de números negativos no final de 2013 e fomos crescendo gradualmente. O último trimestre de 2014 foi o melhor de sempre, com 160 mil adições líquidas” de novos serviços, destacou o gestor. A NOS terminou o primeiro ano de actividade completa já depois da fusão com um total de 7,6 milhões de serviços subscritos.

Na televisão, o número de subscritores também interrompeu pela primeira vez a tendência de quebra dos últimos dois anos (uma tendência agravada pelo facto de a empresa ter sido obrigada a retirar as cláusulas de fidelização dos contratos dos clientes Optimus pela Autoridade da Concorrência) e a NOS angariou mais de sete mil novos clientes.

Apesar da quebra de 3% das receitas, para 1383 milhões de euros, Pereira da Costa diz que a NOS está a “estabilizar as receitas consolidadas”, com melhorias de trimestre para trimestre. “Contamos ter fechado o ano com uma quota de 27% de receitas, um ganho de dois pontos percentuais em dois anos, em linha com o que esperávamos”, adiantou.

Quanto à queda do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), que piorou 4,9%, para 510,5 milhões de euros, o gestor lembrou que, por motivos contabilísticos, a NOS deixou de consolidar a posição de 30% na ZAP (a joint-venture com Isabel dos Santos), que passou a reflectir-se apenas no lucro. Caso fosse consolidada, a ZAP teria tido um impacto de 23 milhões no EBITDA, adiantou.

Sobre o investimento, o administrador da NOS sublinhou que foi um “ano muito forte”, com um aumento de 39%, para 374,4 milhões de euros, incluindo investimentos não recorrentes que atingiram 98,6 milhões de euros destinados à expansão das redes e integração das operações e mesmo investimentos de natureza comercial exigidos pela angariação de grandes clientes empresariais.

Em 2014 a NOS fez “um investimento grande” na cobertura em 4G nos Açores e na Madeira e em 2015 o esforço vai concentrar-se no alargamento da rede de fibra no continente. Depois de ter passado mais 80 mil casas em 2014, a NOS quer chegar ao final de 2015 com mais 200 mil casas passadas com fibra e com acesso a serviços convergentes. No final de 2014, a NOS tinha 3,326 milhões de casas passadas com fibra.

Apesar do investimento, a empresa continua a manter um perfil de endividamento “bastante confortável e controlado” de 1,9 vezes o EBITDA, que é “claramente conservador quando comparado com o padrão do sector”. A NOS acabou 2014 com uma dívida líquida de 983,5 milhões de euros.

O administrador financeiro da NOS sublinhou que a empresa realizou diversas operações de refinanciamento em 2014 que permitiram baixar o custo médio da dívida e já tem agendadas novas operações que lhe permitirão “refinanciar-se em condições muito boas”, adiantou.