Na NOS “há um apoio unânime” da Sonae e de Isabel dos Santos, diz Miguel Almeida

Presidente da operadora rejeita comentar diferendos entre os accionistas e fala em total apoio do conselho de administração.

Zon Optimus, liderada por Miguel Almeida, avançou para a emissão de um empréstimo obrigacionista
Foto
Miguel Almeida é o presidente da Nos, empresa controlada pela Sonae e por Isabel dos Santos Nuno Ferreira Santos

“Sob qualquer perspectiva, e em qualquer vertente, foi uma fusão exemplar”. As palavras são de Miguel Almeida, o presidente executivo da NOS, que quis marcar assim o primeiro ano completo de actividade da operadora que resultou da fusão entre a Optimus e a Zon. A empresa de telecomunicações apresentou nesta quinta-feira os resultados líquidos de 2014, ano em que os lucros cresceram 17,8% para 74,7 milhões de euros. As contas da empresa foram discutidas na quarta-feira numa reunião do conselho de administração da empresa, onde a gestão sentiu “um total apoio, um unânime apoio” ao projecto NOS, garantiu Miguel Almeida.

“Sentimos nessa frente um um enorme conforto”, sublinhou Miguel Almeida, escusando-se a comentar as notícias recentes sobre a passagem de quadros da Sonae para empresas de Isabel dos Santos em Angola (a Sonae e a empresária angola dividem o controlo da NOS através da ZOPT), que teriam causado mau-estar entre os parceiros.

Destacando o "estrondoso sucesso" que foi o lançamento da marca NOS, o gestor sublinhou que a nova empresa conseguiu "ultrapassar todos os obstáculos e extrair desde cedo os valores e méritos que tinham sido identificados". Resultados operacionais e financeiros "sólidos" que estão traduzidos na performance bolsista da NOS, cuja acção se valorizou mais de 30% desde a fusão, frisou o gestor.

“Muitos temiam que este fosse um projecto de optimização de custos, mas este é um projecto de crescimento”, sublinhou o presidente da NOS, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2014. “Ao contrário do que se disse, [a fusão] não só não destruiu emprego, como criou 1500 empregos directos”, acrescentou o gestor, notando que a empresa conseguiu melhorar a quota de mercado (em receitas) de 26% para 27% no ano passado, o que lhe permitiu fazer face ao "nível inaceitável de agressividade de preços" que se mantém em Portugal.

Miguel Almeida considerou a conquista de grandes clientes empresariais, como o BPI, a CGD ou a Águas de Portugal, como “um testemunho muito grande da credibilidade e solidez da empresa”. O gestor reiterou a separação entre os mais recentes acontecimentos da PT Portugal e aquilo que que tem sido a actuação da companhia no mercado, onde não se sentiu “qualquer turbulência”. “Nessa medida só posso concluir que o mérito é nosso”, disse, a propósito da conquista das grandes contas empresariais.

Compra da PT Portugal não é “processo pacífico”
Questionado sobre se a NOS estará interessada nos activos que a Altice eventualmente venha a vender para comprar a PT Portugal, Miguel Almeida referiu que não é certo que haja activos para venda. “Não sabemos se os activos estão à venda ou não, o que sabemos é que foi notificada uma operação de concentração na Comissão Europeia, que eventualmente contraria esse pressuposto”.

O que é certo, defende o presidente da NOS, é que a Autoridade da Concorrência (AdC) está melhor qualificada para o analisar, do que as autoridades europeias: “Seria crítico e muito importante e relevante que o processo fosse analisado em Portugal pela AdC, que tem muita experiência e muita competência para o avaliar”, porque é um “processo que está longe de ser pacífico, dada a significativa concentração que originará”.

Se “o caminho seguido” for alienar activos, “estaremos sempre atentos”, disse Miguel Almeida.