Crítica

O fumeiro das vaidades

Paul Thomas Anderson confirma ser o verdadeiro herdeiro da "nova Hollywood" em mais um grandíssimo filme.

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Na sequência de Haverá Sangue e O Mentor, Paul Thomas Anderson continua a explorar os cantos mais ou menos obscuros da Califórnia do século XX, aterrando agora naquele período indistinto entre fins dos anos 1960 e princípio dos 1970, onde a afluência do pós-guerra dava lugar às contradições da contra-cultura.

Pega no livro homónimo de Thomas Pynchon e faz dele uma espécie de film noir desconstruído, Chinatown visto por uma nuvem de ganza, Raymond Chandler a contar uma história à James Ellroy enquanto tripa em ácido de boa qualidade, onde o detective charrado de Joaquin Phoenix serve de guia para um “fumeiro de vaidades” com uma mulher quase fatal como pretexto. É, outra vez, Anderson a brincar ao “Grande Filme Americano” e a provar no processo que é o herdeiro mais puro e verdadeiro da “nova Hollywood” dos anos 1970. É um grandíssimo filme – e a sua ausência dos Óscares diz tudo sobre ele e sobre o estado da Hollywood de hoje.