Crítica

E um pensamento pela Argentina?

O calculismo e a habilidade – irrepreensivelmente “funcionais” – perdem o filme.

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Recuperação argentina de um modelo em desuso – o filme em episódios – que no entanto se contenta com o mais superficial que o modelo tem para dar: o efeito zapping, agora é isto mas a seguir passámos já para outra coisa.

É muito calculista, e certamente muito habilidoso, na maneira como constrói as suas histórias entre o absurdo e o quotidiano, mas são o calculismo e a habilidade – irrepreensivelmente “funcionais” – que perdem o filme, concentrado na exibição dessas qualidades a tal ponto que nunca deixa materializar aquela severidade surrealista para que parecia apontar, e que é uma marca fortíssima de tanto cinema latino-americano (do México à Argentina) das últimas décadas. 
 
É um filme de “factura”, que algures se esquece do que teoricamente lhe estava subjacente: perturbar o espectador não pelo que acontece no ecrã, mas pelo que salta dele e permite a passagem à “vida”. À vida argentina, por supuesto; mas o resultado é mais um esquecimento: quantos espectadores sairão do filme com um pensamento pela Argentina?