Costa diz que o país está numa “situação diferente” do que estava há quatro anos

A frase levou o partido a sair em defesa do seu líder, depois de PSD e CDS terem procurado capitalizar a polémica.

António Costa pretende ser presidente da AML
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António Costa pretende ser presidente da AML Enric Vives-Rubio

As declarações do secretário-geral do PS foram proferidas há alguns dias, no Casino da Póvoa, perante a comunidade chinesa que celebrava o ano novo chinês. E foi para agradecer o investimento chinês que o socialista proferiu a frase que o eurodeputado do CDS, Nuno Melo, fez questão de denunciar no Diário Económico.

“Como nós dizemos em Portugal, os amigos são para as ocasiões", disse Costa. "E numa ocasião difícil para o país, em que muitos não acreditaram que o país tinha condições para enfrentar e vencer a crise, a verdade é que os chineses e os investidores chineses disseram presente, vieram e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela em que estava há quatro anos atrás”, afirmou.

A frase levou o partido a sair em defesa do seu líder. O deputado e ex-ministro da Economia, Vieira da Silva, acusou a maioria que fez eco dessas declarações no plenário parlamentar de “tentar desviar a atenção dos portugueses da identificação dos problemas sérios que existem no país".

Do Largo do Rato, chegou outra justificação: "Perante o exterior, António Costa recusa-se a falar mal do país, mesmo que não goste deste Governo. PSD e CDS estão a tentar um fait-divers com esse assunto", justificou um elemento do partido. 

O líder parlamentar do PSD também capitalizou a polémica. Luís Montenegro acusou António Costa de andar "um pouco ziguezagueante, senão mesmo confuso, nos últimos dias" e de ter protagonizado "o cúmulo da submissão política" a Bruxelas ao advertir para a importância das negociações a nível europeu.

"Objectivamente, o que aconteceu ao doutor António Costa é que a boca lhe fugiu para a verdade. Por uma vez, ao contrário daquilo que fez o PS ao longo dos últimos quatro anos, reconheceu que havia muito pessimismo em muitos sectores da sociedade portuguesa relativamente a podermos enfrentar e vencer a crise, mas felizmente não foi isso que sucedeu, não foi o pessimismo que venceu", afirmou Montenegro.

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