Editorial

Vistos gold mais abrangentes

Os célebres “passaportes” dourados que dão acesso directo à residência no país contra um investimento de, no mínimo, 500 mil euros, nunca foram consensuais

Os célebres “passaportes” dourados que dão acesso directo à residência no país contra um investimento de, no mínimo, 500 mil euros, nunca foram consensuais. Primeiro, choveram acusações de que o Governo estava a vender o país ao desbarato. Depois, temeu-se que os vistos “gold” abrissem portas a pessoas indesejáveis, o que veio a revelar-se uma preocupação legítima. Finalmente, o escândalo da descoberta de uma rede de altos funcionários do Estado que fazia “negócio” com a atribuição dos vistos parecia o golpe de misericórdia neste estratagema de atracção de “investimento” fácil. Pura ilusão. Ontem, Paulo Portas fez o relançamento do modelo, com uma inovação interessante. Em vez da captação de investimento estar essencialmente voltada para o betão, abre-se caminho a quem queira investir na produção artística, investigação científica e recuperação do património. Do mal, o menos.