Torne-se perito

Acusação de assédio sexual força demissão do presidente do IPCC

Rajendra Pachauri liderava o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas desde 2002. Já foi substituído pelo seu vice.

Pachauri abandona o IPCC num ano crucial para as negociações do clima
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Pachauri abandona o IPCC num ano crucial para as negociações do clima ATTILA KISBENEDEK/AFP

O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa) anunciou nesta terça-feira a demissão do seu presidente, o economista indiano Rajendra Pachauri, que é alvo de uma queixa de assédio sexual e está ser julgado em Nova Deli.

“O IPCC chegou a acordo para designar, em conformidade com os seus procedimentos, o vice-presidente, Ismail El Gizouli, como presidente interino”, refere um comunicado desta autoridade científica internacional sobre as alterações climáticas.

“A designação de Gizouli acontece depois de Rajendra Pachauri ter decidido demitir-se das suas funções de presidente de IPCC, uma decisão efectiva a partir desta terça-feira”, continua o comunicado, emitido a partir de Nairobi, no Quénia, onde o IPCC está reunido.

A decisão de substituir imediatamente Pachauri “permite ao IPCC continuar a sua missão, que consiste na avaliação das alterações climáticas, sem interrupções”, declarou Achim Steiner, director do Programa das Nações Unidas para o ambiente, que organizou a reunião do painel. “Contamos com uma sessão produtiva em Nairobi esta semana.”

O mandato de Pachauri devia terminar apenas em Outubro, altura em que está prevista a eleição de um novo gabinete do IPCC.

Rajendra Pachauri, de 74 anos e presidente do IPCC desde 2002, renunciou a participar na reunião de Nairobi depois de ter sido anunciado que iria responder em tribunal a uma queixa de assédio sexual apresentada na Índia por uma mulher de 29 anos, investigadora no seu centro de estudos.

A mulher acusa Pachauri de contactos físicos forçados e de a ter bombardeado com emails, sms e telefonemas durante quase dois anos, e isto quando ela lhe deu conta, por diversas vezes, do seu “desconforto” com toda a situação.

O então presidente do IPCC negou as acusações e disse que o seu computador e o seu telemóvel terão sido pirateados. Na segunda-feira, um tribunal decretou a sua prisão preventiva, mas aceitou mantê-lo em liberdade sob caução pelo menos até à próxima audiência na quinta-feira.

Este escândalo acontece num ano crucial para as decisões sobre o clima, estando a comunidade internacional a negociar os dossiers para a conferência de Paris, onde se espera um primeiro acordo universal contra o aquecimento global.

O IPCC é um organismo da ONU encarregue de sintetizar os estudos científicos realizados em todo o mundo sobre a evolução do clima, mas não intervém directamente no processo das negociações internacionais.

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