O mundo verde estará à tua disposição... num museu

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A acção humana sobre o meio ambiente é uma das preocupações de Daesung Lee, o autor do projecto "Futuristic Archaeology" ("Arqueologia Futurista"), que sugere que paisagens verdejantes se tornarão escassas e que as recordaremos num espaço onde se apresentarão mortas, intocáveis e inatingíveis: num museu de história natural. Este projecto foi desenvolvido na Mongólia onde o Governo reporta que, nos últimos 30 anos, 850 lagos e cerca de 2000 rios e riachos secaram e que 25% do território se converteu em deserto. O impacto destas alterações sobre a população nómada (que representa 35% da população) é considerável e obriga a repensar um estilo de vida que passa de geração em geração há mais de 3000 anos. Lee contou ao P3 como surgiu a ideia para o projecto: "Visitei um museu e grande parte da colecção era dedicada a uma cultura e sociedade que já não existe e que foi destruída durante tempos coloniais. A cultura e sociedade mongol terá o mesmo destino e será extinta pela mão de todos devido às alterações climáticas." O projecto surge por iniciativa e investimento individual do fotógrafo, mas com o apoio do staff da ONG "Green Asian Network". A logística foi intricada: "Mandei construir uma estrutura em metal e madeira de 3x5 metros. Imprimi as imagens numa gráfica de publicidade de 'outdoors'. A estrutura era muito pesada, pesava cerca de 150 quilos. Transportei-a num camião de local em local e, juntamente com dez pessoas, coloquei-as em locais desertificados. Foram necessárias muitas pessoas para a operação, mas foi divertido, por vezes." Às imagens, Daesung adicionou a interacção com a população local e o seu gado e o resultado está à vista. "[O conceito] pode ser aplicado em qualquer local. Mas torna-se mais simbólico num país onde a tradição nómada está em risco. Considero aplicar a mesma abordagem a outros locais e temáticas."