Igreja dos Pastorinhos custou 1,7 milhões, mas falta pagar um milhão

A 23 quilómetros do Santuário de Fátima, em Marrazes, vai ser inaugurado um novo templo.

Fotogaleria
Rui Gaudêncio
Fotogaleria
Rui Gaudêncio
Fotogaleria
Rui Gaudêncio
Fotogaleria
Rui Gaudêncio
Fotogaleria
Rui Gaudêncio

Os tempos podem ser de crise mas para os paroquianos de Marrazes, uma povoação de Leiria, este domingo é dia de grande festa: vai finalmente ser inaugurada a Igreja dos Pastorinhos, que demorou uma década a construir, custou 1,7 milhões de euros e tem capacidade para albergar 450 fiéis sentados. A cerimónia de inauguração será presidida pelo bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto.

A construção ficou marcada por múltiplos atrasos e algumas desditas, como um grande incêndio de origem desconhecida que em 2012 destruiu por completo o auditório, num prejuízo orçado em cerca de 400 mil euros. Por isso, apesar das esforçadas iniciativas de angariação de fundos (campanhas, festas e concertos, bem como almoços todos os meses), a maior parte do investimento (cerca de um milhão) continua por saldar, admite o pároco de Marrazes, o padre Augusto Gonçalves, que pertence à Associação Cristã de Empresários e Gestores.

A 23 quilómetros do Santuário de Fátima, este templo é o primeiro da diocese Leiria-Fátima a ser dedicado aos beatos Jacinta e Francisco (o primeiro do país fica em Alverca e custou cinco milhões de euros). Foi erguido numa zona outrora rural, a Quinta do Alçada, num terreno cedido pela autarquia e que actualmente é um espaço urbano. “Esta zona alberga a maior das sete comunidades desta freguesia que também é a maior da região, com cerca de 30 mil habitantes. É maior ainda do que a freguesia de Leiria, que tem 17 mil habitantes”, enumera o sacerdote, que está convencido de que este "autêntico centro pastoral” ajudará a sedimentar ainda mais o espírito comunitário dos habitantes de Marrazes.

"É uma igreja única, fora do vulgar, faz convergir toda a assembleia para o altar", ilustra. Além da igreja, cuja bênção da primeira pedra ocorreu em 2005 e que vem substituir uma pequena capela já não estava dedicada ao culto, o complexo integra um auditório para 270 pessoas, salas de catequese, salas de reuniões e uma casa mortuária. No futuro, o templo vai ser ainda "valorizado" com três esculturas dos pastorinhos, que estão a  ser esculpidas em mármore de Estremoz pelo escultor Bruno Marques, diz.

Relativamente à quantia ainda por saldar, Augusto Gonçalves esclarece  que as iniciativas para angariar fundos não pararam: “Vamos continuar com campanhas, festas e temos prevista para breve uma corrida”.

A arquitecta natural de Leiria que assina o projecto, Alexandra Cantante, herdou, por assim dizer, a obra do seu pai, também ele arquitecto. O templo estava pensado há 15 anos, mas o profissional morreu em 2001. “A obra foi começada pelo meu pai, que desenhou e concebeu a volumetria do edifício e o projecto-base”, recorda.

Alexandra Cantante procedeu depois a uma remodelação porque foi necessário adaptar a obra à legislação e tratar das acessibilidades. O que acaba por ter mesmo a sua assinatura, segundo afirma, é “o espaço litúrgico”, que é fora do comum. Com cerca de 600 metros quadrados, a assembleia desce como se fosse um anfiteatro, envolvendo o altar e não há degraus. “[O espaço] é grande, mas acolhedor”, considera.