Em Atenas diz-se que Portugal e Espanha foram os que mais dificultaram o acordo

Ministro das Finanças grego diz que colegas têm as suas “prioridades políticas”. "Governo português desmente" ideia de que tentou impedir o acordo.

Foto
Maria Luís Albuquerque foi a representante portuguesa no Eurogrupo Georges Gobet/AFP

Foi uma das informações veiculada pelos meios de comunicação social gregos na descrição daquilo que se passou na reunião do Eurogrupo desta sexta-feira: os ministros das Finanças de Portugal e Espanha foram os que mais objecções levantaram à proposta de acordo que foi apresentada logo no início do encontro. O Governo português desmente.

O texto colocado em discussão tinha sido o resultado de negociações prévias envolvendo principalmente o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e os ministros das Finanças grego e alemão. De acordo com os relatos feitos por representantes do Governo grego a meios de comunicação social do seu país, mas também a estrangeiros como o The Guardian, quando o documento foi apresentado à totalidade dos ministros das Finanças, a oposição aos termos acordados veio principalmente de Maria Luís Albuquerque e do seu homólogo espanhol, Luis de Guindos.

Nas conferências de imprensa que se seguiram ao Eurogrupo, quando interrogados sobre quais as objecções que os países ibéricos levantaram, nem Dijsselbloem nem Varoufakis quiseram dar muitas informações.

Ainda assim, Varoufakis disse que, embora tivesse prometido "dizer a verdade", sobre este assunto tinha de esquivar-se por uma questão de "boas maneiras". "Os ministros das Finanças português e espanhol são meus colegas, e eu percebo que têm as suas próprias prioridades políticas. Foram motivados por essas prioridades políticas e eu respeito isso", declarou.

Também disse estar consciente que esses dois países emprestaram uma quantidade "significativa" de dinheiro à Grécia. “A Espanha emprestou um valor muito grande, Portugal nem tanto, mas em percentagem do produto, o valor não foi nada insignificante", afirmou.

Yanis Varoufakis aproveitou então para dizer que sempre foi contra esses empréstimos, “porque as condições que lhes estavam associadas puseram a Grécia numa espiral recessiva que tornou-os muito difíceis de pagar”.

E deixou uma nova mensagem a Portugal: “O que temos de fazer agora é transformar este tipo de acordos para ajudar países como a Grécia, e também como Portugal. E para fazer isso, tenho de manter uma excelente relação com estes meus colegas”.

Nas declarações que fez aos jornalistas à saída do Eurogrupo, o ministro espanhol, Luis de Guindos, negou que a Espanha tivesse tentado bloquear o acordo. Disse que a sua atitude foi “construtiva”, mas que ao mesmo tempo tinha que “defender os interesses de Espanha”. “As regras são para respeitar e foram respeitadas totalmente neste acordo”, disse.
A ministra das Finanças portuguesa não fez declarações aos jornalistas após a realização do Eurogrupo.

No entanto, fonte do Governo português garante que a informação divulgada pelos meios de comunicação social gregos "é um boato", "desmentindo em absoluto" que Portugal tenha sido um dos países que mais objecções colocou ao acordo.