A vida dentro de uma prisão psiquiátrica nos EUA

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"Assim que atravessei as portas, ouvi a dor. Homens gritavam, choravam e batiam em portas e paredes. Vi um homem de cócoras num canto a chorar e outro que andava de um lado para o outro na sua cela, falando sozinho com os punhos cerrados no ar." descreve Jenn Ackerman, fotógrafa americana que trabalha em parceria com o seu marido Tim Gruber, videógrafo. "Trapped" retrata o quotidiano dos reclusos/doentes psiquiátricos no interior de um estabelecimento prisional especial, no estado do Kentucky, nos EUA: a instituição garante o mesmo grau de segurança de uma prisão, mas proporciona também cuidados médicos/hospitalares específicos para este tipo de doença. Os reclusos permanecem em celas individuais e vazias durante o período de 23 horas por dia, sem qualquer ocupação. "Vi como a medicina pode ajudar, mas também magoar, e percebi que o isolamento na prisão não é a resposta para a maioria dos casos de doença psiquiátrica", contou Jenn ao P3. "A minha intenção era tirar fotos que fizessem os outros sentir aquilo que eu senti dentro da prisão. Houve dias em que me senti extremamente assustada e outros em que pensei o quanto alguém do lado de fora sentiria falta deles. Outros em que tinha de relembrar-me de que alguns daqueles homens tinham cometido actos horríveis. Também houve aqueles em que pensava que eles tinham sido engolidos por um sistema sem qualquer esperança de lhe escapar. Houve dias difíceis, mas principalmente gratificantes. A maioria destes homens estiveram sempre à margem da sociedade e raramente foram escutados. Assim", conclui, "tiveram uma chance de partilhar a sua história e alguém a ouvir que tinha interesse nas suas histórias e não nos seus diagnósticos."

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