Concorrência aprova compra de bingos pela Pefaco

Grupo espanhol vai adquirir nove bingos portugueses, incluindo o do Benfica.

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Grupo espanhol ficará com dois terços das salas portuguesas Rui Gaudêncio

A Autoridade da Concorrência deu luz verde à compra de nove salas de bingo portuguesas por parte da espanhola Pefaco, ao considerar que a operação de concentração “não é susceptível de criar entraves significativos à concorrência efectiva nos mercados relevantes identificados”.

Com esta decisão, a Pefaco tem o caminho aberto para ficar com mais de dois terços das salas que existem no mercado nacional, incluindo o bingo do Benfica e o do Boavista. Além destas duas, visam também o controlo da sala de jogo de Coimbra, Almada, Nazaré, Olhão, Setúbal, Odivelas e do Clube de Futebol “Os Beleneneses”.
 
De acordo com o Turismo de Portugal, existem 12 bingos em Portugal. Conforme noticiou o PÚBLICO no final de Novembro, altura em que foi conhecida a intenção de entrar no mercado nacional, o grupo Pefaco é uma holding espanhola com um capital de 52 milhões de euros. Foi fundado em 1995 por Francis Perez e Olivier Cauro, respectivamente presidente e o director-geral da empresa, e iniciou as primeiras actividades no Brasil através da aquisição de empresas de jogos locais. Os negócios no Brasil acabaram por ser alienados em 2006.

Além de Espanha, e do Paraguai, o grupo tem apostado em vários países africanos (como o Congo, a Costa do Marfim, a República Democrática do Congo e o Ruanda), onde está estabelecida com a marca Lydia Ludic. Opera também no negócio de hotelaria. Se no caso da República do Congo trabalha com a marca Pefaco Hoteles, já na República Democática do Congo está através da marca Lydia Ludic.
 
De acordo com informação disponibilizada no seu site, a empresa tem estado  a “angariar capital para acelerar o seu desenvolvimento internacional”. “O grupo Pefaco está em constante negociação de novas licenças, a fim de diversificar as suas actividades locais e estabelecer-se em novos países, através da sua expansão internacional”, descreve a empresa.

A aposta da Pefaco em Portugal surge numa altura de alterações legislativas no sector do jogo a dinheiro, incluindo a legalização do jogo online, prevendo-se que o diploma vá a Conselho de Ministro esta quinta-feira. A autorização para o Governo legislar sobre a exploração deste negócio teve luz verde do Parlamento em Setembro do ano passado e tem como objectivo um encaixe de 25 milhões de euros.

No caso dos bingos, este mercado tem vindo a atravessar um ciclo de crise. Olhando para os primeiros seis meses do ano passado, verifica-se que as receitas globais geradas cifraram-se nos 127 milhões de euros, o que representa uma queda de 5,3% face ao mesmo período de 2013.