Segundo tiroteio em Copenhaga faz um morto e dois feridos

Tiros junto à sinagoga, horas depois de tiroteio em centro cultural. Ao todo, os dois ataques causaram dois mortos e cinco feridos, não se sabendo se estão ligados.

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A polícia dinamarquesa está em alerta REUTERS/Mathias OEgendal

É um fim-de-semana de pesadelo para Copenhaga. Duas pessoas morreram e cinco polícias ficaram feridos em dois tiroteios, um contra um centro cultural no sábado à tarde e outro junto à sinagoga da capital dinamarquesa já na madrugada deste domingo. Não se sabe se os dois ataques estão ligados.

O segundo tiroteio ocorreu junto à sinagoga e causou um morto e dois feridos. Já depois das 3h (hora de Lisboa), a polícia dinamarquesa confirmou que um civil que foi atingido na cabeça não resistiu aos ferimentos. Os dois feridos são dois polícias, o que eleva para dois mortos e cinco feridos o número de vítimas dos dois tiroteios que aconteceram na capital da Dinamarca. 

Ao início da madrugada deste domingo a polícia afirmava que ainda era cedo para dizer se há uma ligação entre estes novos disparos e o ataque ao centro cultural onde decorria um debate sobre "Arte, blasfémia e liberdade de expressão", em homenagem aos cartoonistas e jornalistas do Charlie Hebdo mortos em Janeiro por radicais islâmicos.

Após o primeiro ataque, no sábado à tarde, a polícia revelou a foto de um suspeito, que estava em fuga. O homem utilizou um carro, que depois foi encontrado abandonado e vazio.  Um comunicado divulgado pelas autoridades descrevia-o como "um homem de 25 a 30 anos, cerca de 1,85 metros, constituição atlética e aparência árabe, com cabelos negros e lisos".

No caso do segundo tiroteio, as únicas informações adiantadas pela polícia são de que o atirador (um homem) terá fugido a pé e que vestia calças e sapatos pretos, além de um casaco cinzento. 

Após o ataque ao centro cultural onde estava o embaixador francês em Copenhaga e o cartoonista sueco Lars Vilks, autor de caricaturas de Maomé, o alerta de segurança foi elevado para o nível máximo em todo o país e os serviços de segurança suecos também estão mobilizados, caso o suspeito atravesse a ponte que une Copenhaga à cidade sueca de Malmö.

"Há uma forte presença de agentes da polícia em Copenhaga. Sigam as suas instruções e mantenham-se vigilantes", dizia uma mensagem publicada no Twitter pela polícia dinamarquesa, após o segundo tiroteio.

A estação de Norreport, no mesmo quarteirão da sinagoga, no centro da cidade, foi evacuada, noticiou a agência dinamarquesa Ritzau, citando a companhia ferroviária DSB.

Até às 3h15 (hora de Portugal continental), a polícia não tinha estabelecido qualquer ligação entre os dois ataques, nem encontrado o autor (ou autores) dos disparos que ao todo fizeram dois mortos e cinco feridos. Estava em curso uma caça ao homem. Nas redes sociais, sucediam-se os relatos de que os agentes policiais tinham isolado o centro da cidade, pedindo às pessoas para ficaram em casa e revistando todos os automóveis em circulação.


Imagem do suspeito do primeito tiroteio em Copenhaga

O tiroteio de sábado à tarde, durante um debate sobre blasfémia e liberdade de expressão, foi entendido como um ataque a Lars Vilks, que já recebeu inúmeras ameaças de morte desde 2007, ano em que publicou uma série de cartoons em que Maomé surgia como um cão.

No ano passado, uma norte-americana da Pensilvânia, que se apresentava como Jihad Jane, foi condenada a dez anos de prisão por conspirar para o matar. E em 2010, dois irmãos foram presos depois de tentarem atear fogo à casa de Vilks, no Sudeste da Suécia.

O tiroteio de sábado na Dinamarca surge mais de um mês depois do ataque ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, que no dia 7 de Janeiro fez 12 mortos. Dois dias depois, mais quatro pessoas foram mortas durante um ataque a uma mercearia judaica em Paris. O atacante, que na véspera matara uma agente da polícia municipal, tinha conspirado com os dois irmãos que entraram no jornal – os três acabaram mortos pela polícia em duas operações quase simultâneas.

Depois do atentado contra o semanário francês, Vilks disse à AP que ia passar a ser convidado ainda menos vezes para falar em público, por motivos de segurança, afirmando esperar que os serviços de segurança aumentassem a sua protecção. "Isto vai provocar medo nas pessoas a um nível completamente diferente do que estamos habituados", afirmou. "O Charlie Hebdo era um pequeno oásis. Poucos se atreviam a fazer o que eles faziam."

A polémica sobre os cartoons de Vilks seguiu-se a outra, em 2005, quando o jornal dinamarquês Jyllands-Posten publicou caricaturas de Maomé assinadas por vários artistas. A publicação desencadeou uma série de protestos em vários países muçulmanos nos quais morreram pelo menos 50 pessoas.

"Era algo que temíamos depois do Charlie Hebdo", disse à AFP o secretário-geral dos Repórteres Sem Fronteiras, Christophe Deloire. "Vemos como os grupos ultra-radicais estão em guerra contra a liberdade de expressão, contra a liberdade de crítica irreverente das religiões e contra a simples liberdade de debater estas questões."