Morreu Steve Strange, cantor dos Visage e ícone da cultura pop londrina

Ficou tão conhecido pela sua actividade criativa como pelo que desencadeou à sua volta. Tinha 55 anos.

Steve Strange foi um pioneiro do movimento "novo-romântico" dos anos 1980
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Steve Strange foi um pioneiro do movimento "neo-romântico" dos anos 1980 DR
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Os Spandau Ballet no The Blitz Club
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The Blitz Club

A confirmação surgiu na página do Facebook do grupo. “Steve morreu durante o sono de ataque cardíaco”, no Hospital Internacional Sharm El Sheik no Egipto, podia ler-se no comunicado. Tinha 55 anos.

Era uma daquelas personalidades que ficou tão conhecida pela sua actividade criativa como pelo que foi capaz de impulsionar à sua volta. Em parte, grupos da pop electrónica que emergiram nos anos 1980, como os Spandau Ballet, Duran Duran, Soft Cell, Human League ou Depeche Mode, devem-lhe um pouco o terem ficado conhecidos, tendo sido contagiados pela sua postura e actividade.

Antes de formar os Visage, no final dos anos 1970, esteve também envolvido no movimento punk, tocando em bandas como os Moors Murderers e chegando a colaborar com Malcolm McLaren — o obreiro dos Sex Pistols —, mas a sua acção foi concretizada em paralelo ao punk.

Fazia parte de uma minoria londrina que, nos final dos anos 1970, pretendia o regresso de uma certa sofisticação e artifício que a cultura pop havia tido no período glam-rock e que com a súbita irrupção da crueza do punk se perdera.

Quando iniciou as noites do Blitz eram poucos, mas a verdade é que esse clube acabou por ser o embrião de toda uma nova forma de estar que iria fazer escola na década de 1980 em todo o mundo.

Situado no Soho londrino, nos anos iniciais, as noites do Blitz acabaram por ser fundamentais para o surgimento daqueles que iriam ficar cunhados como sendo os "neo-românticos", caracterizados como sendo estilizados na roupa e na maquilhagem, de terem uma pose algo teatral e de gostarem e dançarem ao som de pop electrónica — em Portugal, por exemplo, também eram cunhados como “futuristas”.

E o que se ouvia no Blitz? Na fase inicial, essencialmente Roxy Music, David Bowie — Steve Strange entra no vídeo da canção de 1981 Ashes to ashes — ou Kraftwerk. E depois, todos aqueles que o clube, e as movimentações à sua volta, proporcionaram que existissem — dos Soft Cell de Marc Almond aos Culture Club de Boy George, que também trabalhou no Blitz, aos Dead Or Alive de Pete Burns.

Entre eles, naturalmente, também os Visage do próprio Steve Strange, que lançaram Tar em 1979, seguido no ano seguinte pelo álbum homónimo, do qual sairia a canção pela qual o grupo ficou conhecido — Fade to grey. Seguir-se-iam mais dois álbuns de estúdio (The Anvil em 1982 e Beat Boy de 1984), até que o grupo encerrou actividade em 1985. Voltaria em 2013, lançando mais dois álbuns, mas naturalmente sem o mesmo protagonismo.

Depois dos anos 1980 a sua actividade foi sendo errante, em parte por problemas com varias adições, mas nunca deixou de ser visto como alguém que conseguia prenunciar e activar tendências na cultura pop.

Não surpreende que nas últimas horas a Internet se tenha enchido de mensagens de condolências da parte daqueles que acabam por lhe dever o papel pioneiro — de Simon Le Bon dos Duran Duran a Billy Idol.


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