Grécia não chega a acordo com parceiros europeus

Reunião do Eurogrupo termina sem solução. Na segunda-feira, há novo encontro.

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Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, admitiu progressos Reuters
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“Houve muitos progressos nesta reunião, mas não o suficiente para chegar a uma conclusão conjunta. Vamos continuar as discussões na próxima segunda-feira”, explicou o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, na conferência de imprensa que decorreu já depois da meia-noite em Bruxelas (23h em Lisboa).

A principal divergência continua a ser a forma como se pode garantir que a Grécia tem, no curto prazo, todo o financiamento de que precisa para chegar sem qualquer default até Setembro, o momento em que um novo programa de longo prazo com os parceiros europeus pode talvez ser atingido.

Por um lado, a Grécia recusa prolongar o actual programa da troika e prefere que lhe dêem a possibilidade de emitir mais dívida pública de curto prazo, a que chama “financiamento ponte”. Por outro, os restantes parceiros europeus insistem que é impossível garantir o financiamento sem que haja um programa em vigor. Os dois lados mantiveram-se irredutíveis nestas posições.

Em comunicado emitido a seguir ao final do Eurogrupo, o Governo grego afirmou que “uma extensão do memorando não pode ser aceite”. Dijsselbloem, por seu lado, disse que “uma extensão do programa foi discutida e que foi considerada por alguns como a melhor opção, mas um acordo não foi obtido”.

Na reunião, os responsáveis do Governo grego presentes começaram por apresentar, de acordo com as agências económicas internacionais, um plano baseado em quatro pontos fundamentais: a Grécia aceita 70% das medidas previstas no actual programa da troika; os objectivos de excedente orçamental primário acordados com a troika são revistos em baixa; o encargo da dívida pública grega é aliviado através da sua substituição por títulos de dívida indexados ao crescimento e títulos de dívida perpétua; e é dado ao Governo grego espaço de manobra para iniciar, no imediato, um combate à crise humanitária na Grécia, com medidas como o fornecimento de electricidade grátis a quem não tem meios para a pagar.

Do lado dos outros países, a resposta centrou-se, de acordo com relatos obtidos por diversos meios de comunicação social europeus, em garantir que a Grécia recuava na sua posição de não aceitar a extensão do actual programa da troika. O executivo grego foi fortemente pressionado pelos outros governos para o fazer, mas, depois de vários contactos entre Varoufakis, em Bruxelas e o primeiro-ministro Alexis Tsipras, em Atenas, resistiu.

De tal forma que o habitual comunicado conjunto que sai das reuniões do Eurogrupo acabou desta vez por não ser publicado. Os ministros redigiram mais do que uma proposta, mas estas foram recusadas por Atenas. Questionado à saída do encontro por um jornalista se considerava um progresso não ter saído do Eurogrupo o tradicional comunicado ambíguo produzido quando não há acordos, Yanis Varoufakis respondeu que “num certo sentido, isso é verdade”.

A desilusão de Jeroen Dijsselbloem no final da reunião era evidente. “Estava a contar que nos próximos dias até à reunião do Eurogrupo de segunda-feira, as instituições começassem a trabalhar no terreno para implementar o que aqui fosse decidido, mas para já nada irá ser feito, temos de esperar pela próxima reunião”, afirmou o presidente do Eurogrupo, assinalando que começa a faltar tempo até à data prevista para o final do programa grego, a 28 de Fevereiro.

Yanis Varoufakis, por seu lado, fez tudo para retirar dramatismo ao falhanço na obtenção de um acordo e aproveitou para deixar elogios aos seus colegas ministros. “Nunca foi suposto que este Eurogrupo resolvesse quaisquer questões. Foi-me dada uma maravilhosa oportunidade para apresentar a nossa visão, as nossas análises e as nossas propostas. Uma vez que nos vamos reunir outra vez na segunda-feira, penso que este foi apenas um passo até lá”, afirmou.

Ao mesmo tempo que o Eurogrupo se desenrolava em Bruxelas, em Atenas cerca de 15 mil pessoas manifestavam-se em frente ao Parlamento, dando o seu apoio ao Governo e mostrando a sua oposição à continuação de um programa da troika com mais austeridade. O recado dado ao Governo era o de que uma cedência aos parceiros europeus não será bem recebida. “Falidos mas livres” era uma das palavras de ordem ouvidas.

Algumas horas antes, no interior do Parlamento, Alexis Tsipras tinha conseguido o esperado apoio da maioria dos deputados ao seu programa de Governo. Esta quinta-feira o primeiro ministro grego estará em Bruxelas para a sua primeira cimeira de líderes da União Europeia. Tem encontros agendados com quatro outros líderes europeus antes do início da cimeira. Nenhum deles é Angela Merkel.