Estado ecológico do Rio Tinto melhorou nos últimos cinco anos

Estudo desenvolvido pela Universidade Fernando Pessoa detecta sinais de recuperação neste afluente do Rio Douro.

Apesar de estar ainda muito poluído nalguns pontos, o rio Tinto vai melhorando
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Apesar de estar ainda muito poluído nalguns pontos, o rio Tinto vai melhorando Fernando Veludo/NFactos

O estado ecológico do rio Tinto regista actualmente "níveis próximos do médio", comparativamente com a classificação de "muito mau" de há cerca de cinco anos atrás, conclui um estudo que a Universidade Fernando Pessoa (UFP) tem no terreno.

O curso de água que nasce no lugar Montes da Costa, em Ermesinde, concelho Valongo, e segue para as cidades vizinhas de Gondomar, Maia e Porto, está a ser monitorizado pela UFP no âmbito do "Estudo de alguns parâmetros relativos ao estado ecológico do rio Tinto".

Em declarações à agência Lusa, a coordenadora da equipa técnica, Teresa Jesus, avançou que, "neste momento, o estado ecológico do rio Tinto ainda está longe do ideal, mas está melhor comparativamente ao que foi encontrado aquando do início do projecto".

Teresa Jesus apontou os primeiros quilómetros do rio Tinto como os que têm sofrido uma "melhoria mais substancial", enquanto a zona mais danificada é a dos últimos três quilómetros, ou seja a zona junto ao Freixo, no Porto.

Segundo a coordenadora, que também é docente na UFP, o facto de o rio Tinto ter um pequeno caudal dificulta a acção das estações de tratamento de águas residuais (ETAR) que estão implantadas na sua margem. Acresce o facto de subsistirem ligações urbanas de privados, sobretudo de pessoas com baixos recursos económicos, a um curso de água que regista uma altitude próxima dos 200 metros e é o último afluente da margem direita do rio Douro.

"Registamos intervenções tanto das autarquias como das empresas de águas e registamos relatos de populares que dizem que há três anos não se podia estar aqui devido ao cheiro mas agora a água aparece mais transparente. Há alguma mudança e sensibilização, mas há muito a fazer", descreveu Teresa Jesus.

Os resultados actuais deste estudo são apresentados ao longo do 1.º Workshop "Rio Tinto: passado, presente, futuro", que decorre entre quarta e quinta-feira na UFP e que, de acordo com a responsável, conta com cerca de 130 inscritos.

O "Estudo de alguns parâmetros relativos ao estado ecológico do rio Tinto" resulta de um protocolo estabelecido entre a Lipor - Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto, enquanto entidade promotora, e a UFP, que "empresta" a equipa técnica e os alunos de Engenharia do Ambiente e do curso de Especialização Tecnológica em Qualidade Ambiental.

O projecto junta, ainda, vincou Teresa Jesus, os contributos dos quatro municípios da bacia hidrográfica do rio Tinto, bem como as empresas de águas de Valongo, Gondomar e Porto, e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Além destas entidades, foram convidadas a participar no 'workshop' organizações não-governamentais ligadas ao ambiente que têm tido algum papel ou intervenção junto deste rio localizado no distrito do Porto, entre as quais Movimento em Defesa do Rio Tinto, a Quercus e o Projecto Rios.

São objectivos deste estudo, lê-se na documentação de apresentação do 'workshop', identificar as principais fontes de poluição e as zonas que apresentam maior degradação ambiental e estabelecer um plano de acção a curto, médio e longo prazo com vista à melhoria da qualidade do rio Tinto.

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