Álvaro Siza mostra “visões de Alhambra” em Granada

Exposição de projecto elaborado com o arquitecto espanhol Juan Domingo Santos já passou por Berlim e Basileia. Construção da Porta Nova deve avançar em 2016.

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Álvaro Siza Adriano Miranda
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Desenho para a Porta Nova do Alhambra Atelier Álvaro Siza
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Desenho para a Porta Nova do Alhambra Atelier Álvaro Siza
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Maqueta da Porta Nova do Alhambra Atelier Álvaro Siza
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Imagem 3D da Porta Nova do Alhambra Atelier Álvaro Siza
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Imagem 3D da Porta Nova do Alhambra Atelier Álvaro Siza
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Imagem 3D da Porta Nova do Alhambra Atelier Álvaro Siza
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Imagem 3D da Porta Nova do Alhambra Atelier Álvaro Siza

A obra só deverá começar a ser construída em 2016, mas os visitantes do Alhambra, em Granada, vão poder ver, e imaginar, o que vai ser o novo enquadramento do palácio neste início do séc. XXI – a chamada Porta Nova – através da exposição que esta segunda-feira foi inaugurada na cripta do palácio renascentista de Carlos V, no interior do imponente complexo de arquitectura árabe dos séculos XIII-XIV, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.

Visões do Alhambra é o título da exposição com que Álvaro Siza e o arquitecto de Granada Juan Domingo Santos, na sequência do concurso público internacional que venceram em 2010, revelam o projecto de modernização das estruturas de acesso aos palácios.

Um conjunto de desenhos e esboços, maquetas e também cinco filmes mostra aos visitantes aquilo que Siza chegou a considerar – lembra o catálogo que acompanha a exposição – “um projecto mítico” e um dos maiores desafios na sua carreira de arquitecto.

Siza e Juan Domingo desenharam um novo acesso ao palácio e uma estrutura de acolhimento e informação para os visitantes com um terraço panorâmico e um novo edifício com três pátios, um deles com um espelho de água.

Álvaro Siza – que, por razões de saúde, não pôde deslocar-se a Granada para a inauguração da exposição – repete agora ao PÚBLICO aquilo que disse aquando do anúncio do resultado do concurso. “Mesmo se todos os projectos têm a sua dificuldade, este teve uma dificuldade mas também um apelo especial, por se tratar de intervir numa jóia da arquitectura mundial”, nota o arquitecto, referindo também a preocupação de tratar de “aspectos de ordem mais funcional num sítio arquitectónico que, em época alta, chega a contar 8500 visitantes por dia”. Siza realça também o facto de o projecto que agora está a ser mostrado em Granada ser “rigorosamente aquele que foi elaborado para o concurso de 2010, naturalmente com outro grau de detalhe”.

Na apresentação que fez da exposição do projecto – segundo o relato do jornal El País –, a directora da entidade que gere o Alhambra e o Generalife (a villa com jardins vizinha do palácio), María del Mar Villafranca, explicou que ele resultou de um desafio feito a Siza pelo Fórum Internacional de Arquitectura e Desenho Urbano de Berlim (Aedes).

“Foi [Álvaro Siza] que quis limitar [a exposição] ao seu projecto para o átrio do conjunto nasrida” [edificado no tempo da última dinastia muçulmana na Península], disse a responsável, acrescentando: “Para nós, trata-se de uma estupenda oportunidade para difundir por todo o mundo a imagem do Alhambra do século XXI”.

Na mesma ocasião, o conselheiro de Educação, Cultura e Desportos do Governo da Andaluzia, Luciano Alonso, anunciou que a Porta Nova deverá começar a ser construída em 2016, com um prazo de execução de cinco anos, e um orçamento previsto de 45 milhões de euros. Prazos e verba que Siza diz estarem de acordo com as previsões iniciais, mesmo se acreditava que a obra pudesse avançar ainda até o final deste ano.

Antes de Granada, a exposição Visões do Alhambra, produzida pelo fórum Aeds e comissariada por Antonio Choupina, foi já apresentada em Berlim e em Basileia. Depois da Andaluzia, vai viajar para a Noruega e o Canadá, para ser exibida respectivamente no Museu Nacional de Arte, Arquitectura e Desenho, de Oslo, e no Museu Aga Khan, em Toronto.

Siza diz que gostava que a exposição fosse também mostrada em Portugal. Mas falta ainda reunir as condições necessárias para a sua concretização.