Igreja de Santa Clara no Porto vai começar a ser restaurada

Edifício está classificado como Monumento Nacional desde 1910, mas uma infestação de térmitas e a humidade estão a degradá-lo rapidamente

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A igreja do antigo Convento de Santa Clara é considerado um dos mais belos exemplos do barroco joanino MARIA JOÃO GALA
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As térmitas são um problema. São um problema tão grave que um dos altares da igreja de Santa Clara, no Porto, classificada como Monumento Nacional desde 1910, já nem carrega com a imagem que costumava estar ali pousada. O problema é que a estrutura em madeira que suporta o altar está de tal modo danificada pelos insectos que existe o receio que não aguente com o peso da imagem. Pelo sim, pelo não, enquanto não há restauro, optou-se por retirar o santo e guardá-lo em lugar mais seguro.

Este é apenas um dos problemas que afecta a igreja do antigo Convento de Santa Clara. O espaço, onde se chega cruzando um arco no Largo 1.º de Abril e atravessando um pequeno pátio, é considerado um dos mais belos exemplos do barroco joanino e nem o pó que se acumula sobre a talha dourada lhe retira a imponência. Mas a humidade e a infestação de térmitas estão a deteriorar o monumento, que vai, agora, começar a ser restaurado.

A primeira fase da intervenção na Igreja de Santa Clara, orçada em 290 mil euros (mais IVA), já tem financiamento aprovado e empreiteiro escolhido, e deverá arrancar ainda este mês. A obra foi integrada pela Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN) na candidatura “Entre o Sagrado e o Profano: dinamização do património religioso medieval” ao Programa Operacional do Norte – ON.2, que irá comparticipá-la em 85%. A comparticipação nacional está garantida, em regime de mecenato, pela Fundação Millennium BCP.

No próximo dia 12, a DRCN irá assinar dois documentos que permitirão o “início imediato dos trabalhos”, explica o director regional, António Ponte. Um dos documentos será o protocolo de mecenato, com a Fundação Millennium BCP, e o outro a consignação dos trabalhos à empresa que os irá executar. O prazo para a conclusão desta primeira fase é o mês de Junho.

António Ponte insiste que esta será apenas “a primeira fase” da intervenção mais vasta que a DRCN quer fazer em Santa Clara, sempre com a colaboração da paróquia. Por enquanto, a verba garantida irá permitir “rever todas as coberturas, intervir em todos os vãos (porta e janelas), bem como nas juntas, para impedir a humidade”, explica o director regional. Em simultâneo será construída “uma vala drenante” em torno do edifício e implementada “uma acção muito forte de desinfestação”.

A igreja agradece. Os turistas já não são levados, como dantes, ao coro alto, porque os degraus de acesso também foram atacados pelas térmitas. Em algumas janelas das fachadas faltam vidraças, mas não se consegue substituí-las porque os caixilhos de madeira estão podres e não suportam ser mexidos. O plástico que tenta impedir a entrada da chuva não resolve o problema. Se não é a chuva que entra sem impedimento, é a humidade que se infiltra nas paredes e faz saltar tintas e corroer o chão. E dos altares em madeira já falámos.

Em Santa Clara, as obras agora anunciadas são recebidas com satisfação, mas suspira-se pela sua continuação e diversificação. António Ponte garante que o plano é mesmo esse – avançar para a limpeza e restauro do interior da igreja. “Nada disso pode ser feito sem esta primeira fase de desinfestação e estabilização ambiental. Mas estamos a preparar os projectos para a limpeza e restauro, para que possamos apresentar novas candidaturas mal abram os programas [do novo quadro comunitário de apoio]”. O director regional DRCN explica que as próximas fases de intervenção em Santa Clara – dependentes, ainda, da existência de fundos comunitários – serão acompanhadas de um “novo programa de comunicação e disponibilização ao público do património que é obrigatório”. E diz-se convicto que a reabilitação integral da igreja será “um processo contínuo” que permitirá confirmar o local, desconhecido de tantos portuenses, como “um grande activo daquela zona da cidade”.

A Igreja de Santa Clara é apenas uma parte do anterior Convento, nacionalizado em 1900. O edifício convive paredes meias com a sede do Comando Metropolitano do Porto da PSP, que incorpora o antigo claustro da estrutura.