Taste Porto Food Tours. Ana Marques Maia
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Taste Porto Food Tours. Ana Marques Maia

Taste Porto Food Tours: não vivemos só de tripas e de francesinhas

“Do Bolhão à Vitória”. Assim se resumem as três horas e meia das Taste Porto Food Tours, onde a comida é a porta de entrada para a História de Portugal. Porque o Porto “não é só francesinhas e tripas”.

“Desculpe, não falo inglês, poderá fazer a visita em espanhol?”. Foi ali mesmo no cruzamento da Rua Firmeza com Santa Catarina, no Porto, que André Apolinário ouviu o pedido de Nina Annoni, uma espanhola de Granada, casada com o italiano Paolo, de Parma, os dois clientes da tarde.

Estávamos no ponto de partida de três horas e meia das Taste Porto Food Tours, visitas normalmente feitas em inglês e, quando muito, em português. Mas a questão linguística não bloqueou o antigo engenheiro (muito pelo contrário) que deixou a profissão após mais de uma década de trabalho para, juntamente com dois amigos, criar este conceito. 

“Surgiu da inspiração conjunta de três pessoas: eu, o Miguel David e a Carly Petracco. Queríamos retribuir à cidade o que ela já nos deu, arranjando uma maneira de a promover. Todos gostamos de comida e, à mesa, pois claro, a Carly lembrou-se de um amigo que em Roma tem uma Food Tour. Achámos que era uma boa altura para fazer uma coisa do género aqui no Porto”, explica André ao P3. 

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A tour passa pelo Bolhão Wine House. Ana Marques Maia

Foi assim há quase dois anos, “dois anos de muita luta e sucesso”. Continua a ser assim de terça a sábado, de manhã e à tarde. “A visita começa na zona do Bolhão, na rua da Firmeza. Depois descemos até Sá da Bandeira, ao coração da Baixa, subimos para a zona dos Leões, e seguimos pela zona medieval, por S. Bento da Vitória e pelas Virtudes, até ao Largo de S. Domingos. É uma visita pedonal, percorrendo seis espaços da cidade, procurando mostrar às pessoas o que há para além do óbvio, para além das tripas e da francesinha”.

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Os criadores da Taste Porto Food Tours

Em três horas e meia, distribuídas por pouco mais de três quilómetros, os turistas, maioritariamente estrangeiros, podem experimentar um dia de refeição em Portugal. Haja estômago. “Pode-se esperar muita comida: pastéis de Chaves, queijadinhas, moscatel, uma sandes inventada nos anos 60 num restaurante com mais de 162 anos de História, "éclairs", queijos, enchidos e uma prova de três vinhos”. 

Desengane-se quem pensa que esta é uma "tour" dos melhores sítios da cidade. “Isso não existe. São escolhas pessoais. Escolhemos os sítios como sendo aqueles de que nós gostamos. Estes foram os primeiros que nos receberam sempre de braços abertos”. 

Prova disso mesmo, as palavras de Patrícia Gomes, do Bolhão Wine House, o segundo ponto de paragem da "tour", em pleno marco histórico da cidade. “Gostamos bastante da iniciativa. Estamos a crescer juntos. Temos depois o retorno dos turistas. Voltam para estar, provar outros vinhos, para comprar. Tem sido uma excelente parceria, sem dúvida”. 

Opinião partilhada por quem vai enchendo o estômago e, cada vez mais, a alma. “Está a ser estupendo. Ele é um óptimo conhecedor do Porto”, confidencia-nos em plena visita Paula Annoni, que escolheu fazer o percurso a conselho da filha, uma blogger italiana de viagens

Parcerias com "bloggers"

Precisamente, os blogs estrangeiros têm sido um dos maiores pontos de divulgação do conceito, que embora não seja único no Porto, pauta pela sua especificidade. “Existem empresas a fazer algo parecido, mas creio que, neste momento, somos os únicos focados apenas em visitas gastronómicas”. 

“O principal meio de descoberta da Taste Porto continua a ser o TripAdviser. Isto tem mudado com um esforço grande da nossa parte, de divulgação do nosso percurso, com parcerias com alguns "bloggers". Já fomos aparecendo no Huffington Post, no Chicago Tribune, no Seatle Times, no San Francisco Gate, e até na Marie Claire da Indonésia”. 

O reflexo são visitas repletas de norte-americanos, australianos e canadianos, o top 3 da origem de quem procura descobrir assim o Porto e Portugal. 

“O 'feedback' no final de uma tour é sempre positivo”. A prova dos nove, já de barriga confortada, chega-nos de Nina e Paolo. “Foi uma tour muito bonita, explicada lindamente, recheada de produtos e vinhos muito bons. Aconselho a todos. Fiquei muito encantada, entusiasmada. Se pudesse, repetiria com muito prazer. Creio que o farei numa próxima oportunidade e que gostarei ainda mais”. 

“É o encanto de mostrar uma cidade em três horas e meia, dando-lhe a possibilidade de provar um pouco da gastronomia", diz André a sorrir, "usando-a como porta de entrada para a História, Arquitectura e Cultura, apresentando-lhe acima de tudo o capital humano da cidade”.