PS aprovou primárias

Presidente das Mulheres satisfeita com adiamento de alterações à organização do departamento.

Daniel Rocha
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Daniel Rocha

A comissão nacional do PS aprovou este sábado a possibilidade de realizar eleições primárias abertas a simpatizantes para todos os cargos políticos públicos disputados pelo partido, como deputados e autarcas.

A regra abre a possibilidade de primárias mas não cria a sua obrigatoriedade. Ficou assim em minoria a posição defendida por Álvaro Beleza, ex-membro do Secretariado na direcção de António José Seguro, onde foi defensor das primárias. Beleza votou contra, tendo havido duas abstenções.

No final da reunião, a solução encontrada pelo PS foi justificada por Ana Catarina Mendonça Mendes, presidente da federação de Setúbal. "Foi uma proposta que o secretário-geral apresentou e aprovou no Congresso, foi hoje ratificada pelos comissários nacionais, é um passo em frente na democracia interna do PS, a consagração da possibilidade da generalização de eleições primárias para todos os cargos públicos em Portugal a que o PS se predispõe a disputar", disse, citada pela Lusa.

Por sua vez, Beleza argumentou: "O meu receio é que tudo fique na mesma e acho que era altura de o partido definitivamente introduzir esse regulamento e tornar obrigatório eleições primárias, pelo menos para uma parte dos deputados."

No final da comissão nacional, a presidente do Departamento de Mulheres, Isabel Coutinho, mostrou-se satisfeita com o facto de o presidente do PS, Carlos César, ter remitido para o conselho de jurisdição a decisão sobre as alterações à organização do departamento e à realização de eleições.

"Imperou o bom senso e o presidente do partido resolveu o assunto conforme tinha que ser resolvido. Não levar a votação a marcação de eleições", declarou Isabel Coutinho aos jornalistas. "O departamento é um órgão autónomo, os mandatos são para cumprir", afirmou, declarando que o seu mandato só terminará até 120 dias após as eleições legislativas.

"Até é muito bom que se esclareça juridicamente esta questão", rematou, manifestando-se convicta de que não existe qualquer problema de falta de legitimidade na presidência do Departamento.