Xanana Gusmão confirma que vai deixar chefia do Governo

Novo executivo deverá tomar posse já para a semana e vai incluir vários membros da Fretilin, maior partido da oposição.

Xanana com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, numa visita a Lisboa em Fevereiro de 2014
Foto
Xanana com o primeiro-ministro português, Passos Coelho, numa visita a Lisboa em Fevereiro de 2014 Patricia de Melo Moreira/AFP

Há mais de um ano que se falava da intenção de Xanana Gusmão abandonar o cargo de primeiro-ministro de Timor-Leste. Numa entrevista o PÚBLICO, em Fevereiro de 2014, o próprio explicava que o processo estava mais demorado por causa da cimeira da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que se realizou em Agosto, em Díli.

Ainda não o fez, mas a reestruturação ministerial acelerou nas últimas semanas e a tomada de posse do novo executivo já está prevista para a próxima semana, a 6 de Fevereiro, disse à agência Lusa um responsável governamental.

A saída de Xanana foi confirmada pelo próprio num jantar que juntou quase todos os membros do Governo esta quarta-feira, na capital timorense.

Com mandato para governar até 2017, o actual Governo deverá sofrer muitas alterações com esta saída. Na segunda-feira, o primeiro-ministro escreveu a todos os membros do executivo, convidando uns a ficar e informando outros de que deverão sair até 1 de Fevereiro. Alguns ministros, como a das Finanças, Emilia Pires, a sua vice, Santina Cardoso, e o ministro dos Transportes, Pedro Lay, tinham entretanto apresentado a sua demissão.

A Santina Cardoso terá sido pedido que ficasse, enquanto o afastamento do ministro do Petróleo e Recurso Minerais, Alfredo Pires, é dado como certo, avança a Lusa.

“O anúncio oficial sobre a composição do Governo, mandato até 2017 para conduzir Timor-Leste, deverá ocorrer no início da próxima semana”, lê-se num comunicado enviado à agência de notícias. “O objectivo da reestruturação é tornar o Governo mais eficiente e eficaz, focando-o na prestação de serviços para o povo de Timor”, afirma-se ainda no texto.

Num Governo que se espera seja mais pequeno, a grande novidade será a entrada de membros da Fretilin, o maior partido da oposição. Fala-se da possibilidade de vários nomes: o ex-ministro da Saúde Rui Araújo; o deputado Estanislau da Silva; o líder da bancada do partido no Parlamento, Aniceto Guterres; e Inácio Moreira, também deputado e membro do Comité Central do partido de Mari Alkatiri.

“Exigir que o primeiro-ministro faça uma remodelação dentro do bloco [de partidos que formam a coligação do Governo] é impossível, dentro do bloco já encontrou os melhores”, afirmou Alkatiri à Lusa, no início da semana. “Não podemos dizer que tem de remodelar, reduzir o Governo e depois dizer que continuamos fora”, disse, explicando que os convites foram dirigidos “a pessoas da Fretilin e não à Fretilin”.

Quando venceu as legislativas de 2012 à frente do seu Conselho Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), e na primeira derrota de sempre da Fretilin, Xanana aliou-se ao Partido Democrático para governar.

No início do ano passado, o antigo líder da resistência à ocupação indonésia anunciou que pretendia deixar o Governo. Na altura, especulava-se que havia três possíveis candidatos à sua substituição: Agio Pereira, ministro da presidência e porta-voz do Governo, o ministro da Justiça, Dionísio Babo; e o da Educação, Bendito Freitas.

Em Fevereiro, na entrevista ao PÚBLICO, dizia que contava fazê-lo em Setembro: “Depois da cimeira da CPLP arrumo as malas”, disse. O tempo passou, mas na mensagem de final do ano Xanana pediu aos colegas que se preparassem para mudanças “no interesse nacional” do país, defendendo que o Governo fez “coisas muito boas”, mas que se pode fazer melhor.