PACC: instrumento de "selecção" para o MEC e de "exclusão" para os professores

Os 854 candidatos que chumbaram não poderão candidatar-se a dar aulas. Algo positivo, na perspectiva do MEC que alega estar a seleccionar os melhores.

Só três professores entre 45 mil candidatos conseguiram vínculo ao ministério
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Só três professores entre 45 mil candidatos conseguiram vínculo ao ministério Nelson Garrido

Para o Ministério da Educação e Ciência (MEC), os resultados da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) – a que chumbaram 34,3% dos 2490 professores que a fizeram – mostram que ela era necessária como instrumento de selecção. As duas mais representativas federações sindicais de professores, contudo, mantêm que o teste apenas visa excluir docentes da profissão.

“Gostava que os pais dos alunos se dessem ao trabalho de ir à página do Instituto de Avaliação Educacional [IAVE] na internet e lessem a prova. Será que ficavam mais descansados por entregar os filhos a um professor que tivesse passado naquela coisa?”, questionou, nesta terça-feira, Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores (Fenprof). Ele próprio assegura que “não”. “A PACC é de uma inutilidade completa. A não ser para afastar professores, que em Setembro, muito convenientemente para o Governo, já não aparecerão como não colocados”, disse.

Dias da Silva, da Federação Nacional de Educação, concorda com Mário Nogueira e cita o Conselho Científico do IAVE, que num parecer de Novembro considerou que a PACC não é “válida e fiável” no objectivo a que se propõe, tendo como “propósito mais evidente” impedir o acesso à carreira docente (uma vez que aqueles que chumbaram não poderão candidatar-se a dar aulas).

Na mesma linha, César Israel Paulo, da Associação Nacional dos Professores Contratados (ANVPC), realçou nesta terça-feira “os efeitos perversos” de um sistema que impede os professores que chumbaram na componente comum de fazerem a segunda parte da PACC, que “supostamente vai avaliar as competências científicas e pedagógicas dos professores”. “O MEC afastou pessoas que poderiam ter resultados excelentes nessas áreas, que são as que interessam – é inadmissível”, considerou.

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