Turquia abre o maior campo de refugiados para sírios

O campo de Suruç foi pensado para os que fugiram de Kobani. Nos campos cabem 265 mil dos 1,7 milhões de sírios que atravessaram a fronteira.

Crianças sírias junto a um acampamento improvisado em Suruç
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Crianças sírias junto a um acampamento improvisado em Suruç Aris Messinis/AFP

A esmagadora maioria dos estimados 1,7 milhões de sírios refugiados na Turquia não tem lugar nos 24 campos construídos pelas autoridades do país – muitos vivem nas ruas e parques, mesquitas, em campos improvisados ou edifícios ocupados. Ancara acaba de abrir o seu maior campo com capacidade para 35 mil pessoas, a maioria curdos que fugiram nos últimos meses dos combates em Kobani, junto à fronteira.

Situado em Suruç, junto à fronteira, na zona para onde terão fugido grande parte dos 200 mil sírios curdos que deixaram Kobani, tem dois hospitais, sete clínicas e salas de aula suficientes para 10 mil alunos, da escola primária ao liceu. Para o próximo mês está prevista a abertura de um novo campo, em Mardin, uns 200 quilómetros a leste, diz a agência de gestão de desastres, que desde o início da revolução síria tem a cargo a questão dos refugiados.

Ao contrário da Jordânia ou do Iraque, a Turquia decidiu que iria controlar completamente os seus campos, em vez de contar com a ajuda do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) para o fazer. Abertos e geridos pela AFAD (o Gabinete de Gestão de Emergências e Desastres), os campos são pequenos e construídos tendencialmente longe das zonas urbanas, para evitar tensões com a população local. Entretanto, decidiu pedir aconselhamento ao ACNUR mas ainda coloca muitas dificuldades para registar ONG estrangeiras ou permitir o acesso destas (ou dos jornalistas) aos campos.<_o3a_p>

O problema é que nestes campos, todos erguidos nas províncias de fronteira com a Síria, não cabem mais do que 265 mil refugiados e os restantes vivem em situações muito precárias – às vezes tentam viver junto aos campos oficiais, à espera de vagas. A esmagadora maioria vive sem qualquer apoio e não pode trabalhar, enfrentando dificuldades para aceder a cuidados médicos ou, mesmo tendo dinheiro, alugar uma casa.<_o3a_p>