Tsipras nomeado primeiro-ministro após acordo com Gregos Independentes

Líder do Syriza assume poder, um dia depois de ter conquistado 149 deputados em 300 possíveis. Levou ao Presidente um acordo com o partido de direita nacionalista.

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Alexis Tsipras na cerimónia de nomeação e juramento como primeiro-ministro Miguel Manso
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Governo de Alexis Tsipras apresenta nova lista de reformas
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Alexis Tsipras tinha dito no discurso de vitória que depois da celebração era tempo de começar a trabalhar. E assim foi. Um dia depois do triunfo eleitoral, o líder do Syriza tomou posse como primeiro-ministro, levando ao Presidente um acordo com o partido Gregos Independentes.

“Quero esperar e acreditar que a maioria absoluta de 162 deputados [149 do Syriza e 13 do parceiro de coligação] que conseguimos vá aumentar durante o voto de confiança” ao novo Governo, que decorrerá na terça-feira. “Temos de acelerar procedimentos porque temos uma batalha complicada à nossa espera", disse o líder do Syriza ao Presidente Karoulos Papoulias, ainda antes do juramento não religioso - antes desta cerimónia, o líder do Syriza encontrou-se com o chefe da igreja ortodoxa grega.

Tsipras foi nomeado, depois de logo pela manhã ter chegado a um acordo com o partido populista Gregos Independentes. 

“Quero apenas dizer que a partir deste momento há Governo”, disse o líder do Gregos Independentes, Panos Kommenos, à saída da sede do Syriza, menos de uma hora depois de ter entrado. “[O partido] Gregos Independentes dará um voto de confiança ao primeiro-ministro Alexis Tsipras”, afirmou, acrescentando, segundo a Reuters, que havia "um acordo de princípio". Um acordo, segundo esta agência, que proporciona uma aliança fora do comum ao juntar dois partidos de campos opostos do espectro político unidos por uma mesma rejeição ao programa de resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“O primeiro-ministro irá ao Presidente e a formação do Governo será anunciada pelo primeiro-ministro. O objectivo para todos os gregos é começar um novo dia, com total soberania", disse ainda Panos Kommenos, líder do partido, que elegeu 13 deputados e foi o sexto partido mais votado.

A correspondente do Guardian, Helena Smith, comentava que o entusiasmo era tal que Kammenos chegou dez minutos adiantado à reunião.

O jornalista Nick Malkoutzis, do Kathimerini e do site MacroPolis, comentava que esta era a “opção nuclear”.

Tsipras vai ainda encontrar-se com outros partidos, como O Rio (To Potami), que apesar de novo era visto como uma força mais moderada, mas não era esperado que mais nenhum partido se juntasse à aliança.

O acordo entre o Syriza e o Gregos Independentes não foi bem recebido pelo To Potami. Antes de se reunir com Tsipras, Stavros Theodorakis, o líder do partido que vinha a ser apresentado na campanha pelos media como o mais provável parceiro de coligação, diz que este acordo é um “mau presságio” para o novo Governo.

Na véspera, Kammenos, cujo partido ficou em 6º lugar com 4,7% dos votos segundo os últimos resultados, tinha avisado que não entraria numa coligação em que participasse O Rio, que ficou em 6º com 4,7%.

Uma coligação estranha e negociações duras com Europa
A união entre o Syriza, de esquerda, e o Gregos Independentes, de direita, é uma coligação estranha. A retórica nacionalista dos Gregos Independentes entra em choque com a posição inclusiva para os imigrantes do Syriza; Kammenos sugeriu recentemente numa entrevista que os judeus tinham um tratamento preferencial em relação ao pagamento de impostos na Grécia.

Mas alguns antecedentes apontavam para uma possível ligação, como uma deputada que trocou de campo dos Gregos Independentes para o Syriza, Rachel Makri – e que, aliás, protagonizou um dos casos da campanha eleitoral ao sugerir que a Grécia poderia imprimir dinheiro se faltasse liquidez ao país.

Os Gregos Independentes fazem parte do grupo Conservadores e Reformistas no Parlamento Europeu, o grupo moderadamente eurocéptico formado em 2009 pelo primeiro-ministro britânico David Cameron e que inclui entre outros o partido anti-euro (ou anti-resgates) Alternativa para a Alemanha.

A visão de muitos analistas é que a parceria com este partido, com quem o ponto comum é a oposição à austeridade, aponta uma posição mais dura nas negociações com a Europa.

Um dia fora do normal
Numa tarde a um ritmo acelerado, Tsipras visitou ainda o local onde, a 1 de Maio de 1944, cerca de 200 gregos foram executados pelos nazis. Foi o seu primeiro acto formal como primeiro-ministro.

Num dia em que tudo pareceu fora do normal para a Grécia - da rapidez do acordo de Governo a um juramento de um primeiro-ministro jovem, sem gravata, e sem a presença do líder máximo da Igreja Ortodoxa grega, a pedido de Tsipras - houve ainda outro momento simbólico que foi muito diferente do que é habitual: a passagem do gabinete do primeiro-ministro.

Habitualmente, nota o site Keep Talking Greece, o novo primeiro-ministro encontra-se com o anterior para a transferência oficial de poder.

Mas Antonis Samaras não quis estar presente e enviou um assessor próximo. Tsipras, em resposta, fez o mesmo.