Fotogaleria
Miguel Manso
Fotogaleria
Miguel Manso
Fotogaleria
Miguel Manso
Grécia

Regressar à Atenas da crise

Viviam em cidades como Londres, Amesterdão ou Nova Iorque, tinham trabalho, boas condições, carreiras promissoras. Mas por causa da crise, ou apesar dela, decidiram voltar. Quando muitos saem do país à procura de novas oportunidades, encontrámos cinco gregos que fizeram o caminho oposto.

Viviam em cidades como Londres, Amesterdão ou Nova Iorque, tinham trabalho, boas condições, carreiras promissoras. Mas por causa da crise, ou apesar dela, decidiram voltar. Quando muitos saem do país à procura de novas oportunidades, encontrámos cinco gregos que fizeram o caminho oposto.

Não há um dia em que Pantelis Makkas não se arrependa de ter voltado para a Grécia. “Todas as manhãs quando acordo e me apercebo do que tem de ser feito, penso que não deveria ter voltado”, conta Pantelis, carreira artística feita de Amesterdão a Paris e desde 2010 em Atenas. “Mas o dia continua e percebo que é isto que me faz mexer.”

Pantelis Makkas, 39 anos, veio para Atenas precisamente por causa da crise. “É político.” O arquitecto Haris Biskos, 33, também: “É uma oportunidade.” A fotógrafa Eirini Vourloumis, 35, achou que podia trabalhar para jornais estrangeiros e quis “estar perto dos gregos”, e o engenheiro Elias Giannopoulos, 36, voltou apesar da crise — “era altura” —, sem pensar muito no que ia acontecer, assim como Angelos Christopoulos, 33, especializado em animação por computador e efeitos especiais.

São uma excepção: os números da emigração grega aumentam ano após ano de austeridade (estima-se que seja 300% mais do que o nível anterior à crise, e desde 2009 mais de 200 mil pessoas deixaram a Grécia), com jovens a procurar no estrangeiro a saída para a falta de oportunidades de emprego (a taxa de desemprego é de mais de 50% entre os jovens, e o número de jovens desempregados há mais de dois anos está também a crescer, fazendo os economistas temer que muito deste desemprego seja especialmente difícil de reverter).

PÚBLICO -
Foto
Desde 2009 mais de 200 mil pessoas deixaram a Grécia

Mas estes cinco gregos não se deixaram amedrontar pela crise. Sem terem trabalho em vista, deram o grande salto de regresso. Amigos e família disseram-lhes que eram malucos, para pensarem melhor, para não virem. Mas eles cá estão, e com tudo o que isso tem de bom e de mau. “É muito intenso”, resume Pantelis. “Os gregos vivem e expressam-se a 200%. A vida é mais fácil fora. Mas aqui é mais social.”

O social está a transformar-se em algo mais. Os gregos não gostam de estar sozinhos, mas sempre foram vistos como um pouco individualistas — até nas festas há o momento em que alguém se levanta e dança, sozinho. A crise mudou a sociedade, trazendo uma série de acções de colaboração, e esta é a palavra na boca de muitos destes gregos vindos do estrangeiro.

Pantelis, artista visual que está a trabalhar muito com teatros (neste momento termina uma peça sobre gentrificação que será apresentada em Barcelona), sublinha que os processos de colaboração são centrais para viver aqui neste momento.

O mesmo diz o arquitecto Haris Biskos, que chegou “mesmo no meio da crise”, em 2012, depois de ter passado por gabinetes em Berlim e Zurique. Para um arquitecto, poder-se-ia pensar que é um contra-senso, porque a construção foi dos sectores mais afectados pela crise. Mas ele não veio para Atenas para construir, veio pensar, planificar e, sim, colaborar.

“A crise é uma oportunidade muito boa, primeiro para pensar de novo a função da arquitectura, pensar a cidade. Na crise é quando as coisas começam”, diz.

Haris fala de dois lados: tem um projecto de colaboração no centro de Atenas e um escritório de arquitectura que é o seu trabalho.

O primeiro, a Arcada dos Comerciantes, mesmo perto da Praça Syntagma, onde o que era quase um antigo beco cheio de “cadáveres de burocracia” — dossiers amontoados, formulários — foi arrumado, limpo, arquivado, e o espaço transformado em algo novo. Não é propriamente uma instituição lucrativa, mas é uma montra para criativos, lugar de passagem de conhecimentos.

O segundo, o seu gabinete de arquitectura, que tem há dois anos, onde faz masterplans (planos directores) e estudos para clientes que são sobretudo instituições e autoridades locais. “Como a explosão de construção parou, isso é uma oportunidade para projectos urbanísticos”, diz. “O que é importante”, conclui, “é ler a situação com uma mente criativa”.

As duas actividades estão ligadas — ao ver a cidade, notam-se os edifícios vazios depois da crise, a maioria de instituições públicas ou de sistemas de segurança social que faliram, “há uma enorme reserva de edifícios dentro da cidade”.

Nas Arcadas, há uma “plataforma colaborativa”: com as autoridades locais (a câmara paga as conta de luz e água), o fundo de segurança social, os criativos que cá se instalaram (cada espaço tem de fazer dois workshops gratuitos por mês) e os cidadãos que cá vêm ver os workshops e conhecer os projectos e que colaboram entre si — depois de um workshop sobre papel, por exemplo, houve quem fizesse cartões de visita (todos têm óptimos cartões de visita).

Também neste espaço está a instalação before the light, com uma série de letreiros/reclames luminosos antigos pendurados no cimo da arcada. “Foi um processo em que pedimos ajuda às pessoas, que fotografaram letreiros estragados que encontravam e assinalavam num mapa a sua localização. Estes letreiros foram depois recolhidos e arranjados por um grupo de arte e luz, e este grupo fez depois um workshop para ensinar a fazer a recuperação dos letreiros”, resume Haris.

O seu escritório de arquitectura, um bom espaço com largas janelas para uma das maiores ruas comerciais de Atenas, também beneficiou da quantidade de edifícios vazios: é possível encontrar bons espaços por quantias como 250 euros, que antes teriam um preço impossível. É certo que há um elevador avariado, uma campainha que não funciona, mas são pormenores. “Devagar, devagar”, uma das expressões de marca de Haris, vai-se tendo tudo.

Mesmo perto do atelier de Haris está o escritório onde trabalha Angelos Christopoulos, o especialista em efeitos especiais, com mais cinco amigos e colegas. Onde o de Harris é branco e minimal, com estantes de livros de arquitectura, o de Angelos mistura a parte de escritório com bonecada (afinal, ali trabalha-se em animação) com uma sala de estar de sofás e cadeiras vintage (naperons bordados e tudo).

O grupo chama-se Mascista, lê-se como “machista” e quer dizer algo como “homens fortes daqueles que puxam carroças”, conta Angelos — o nome foi escolhido porque como é uma palavra que ninguém usa, uma pesquisa no Google irá inequivocamente para a página deles. Há cinco anos eram dez pessoas, mas muitos não conseguiram trabalho suficiente como freelancers nesta área. Ficaram seis.

Esta não é uma empresa, porque isso é muito complicado e burocrático — “se queres fazer negócio, este não é o sítio”, comenta Angelos. É um conjunto de colaboradores que vão trabalhando em projectos com pontos de contacto.

Da janela do escritório, vê-se um graffiti dizendo “This is not Berlin” (Isto não é Berlim).

PÚBLICO -
Foto
Angelos Christopoulos, 33 anos, especializado em animação por computador e efeitos especiais. Em Londres, trabalhava muito em pequenos detalhes; em Atenas, tem projectos mais variados

Mas a auto-imagem de Atenas de hoje tem paralelos com a ideia de Berlim de há mais de duas décadas, uma meca para as artes, palco de experimentação, ponto de encontro. “A crise foi má para a arte comercial, mas boa para a Arte com letra grande”, diz Pantelis. O teatro, com que cada vez mais colabora, tem aqui uma enorme força. “Em Atenas, tivemos 850 produções no ano passado, este ano vão ser mil, há 1500 actores a acabar o curso. É um dos maiores centros de teatro da Europa.”

Há vida. “Na Europa Ocidental, andamos a mastigar e mastigar tudo o que foi feito. Aqui, a arte está a mover-se depressa.”

A fotógrafa Eirini Vourloumis não tem dúvidas: “Atenas é a nova Berlim.” “Está a chegar cá muita gente da cena artística e de música, há uma atmosfera underground som sítios interessantes, e está a ficar cada vez mais cosmopolita para pessoas da nossa idade que gostam de arte”, diz.

Eirini vivia há 11 anos em Nova Iorque, onde depois de estudar na Universidade de Columbia trabalhava para vários jornais, incluindo o New York Times, quando, em Dezembro de 2010, decidiu voltar à Grécia. “Pensei que, se há pessoas que teriam trabalho, seríamos nós, e vi uma oportunidade de ser correspondente no estrangeiro. Além disso, estava mais ligada emocionalmente ao tema.” Também: “Queria estar mais perto de gregos.”

Chega à esplanada para a entrevista encavalitada numa mota, duas máquinas ao peito e um exemplar do New York Times na mão: a foto da primeira página, um artigo sobre turismo na Grécia, é dela. Desacelerando, senta-se e enrola um cigarro.

PÚBLICO -
Foto
A fotógrafa Eirini Vourloumis trabalha como correspondente de jornais estrangeiros. “Pensei que, se há pessoas que teriam trabalho, seríamos nós.” Além disso, “queria estar mais perto de gregos” num momento de crise

Uma das primeiras surpresas que teve quando chegou foi que era fácil ter trabalho e ia tendo muitos pedidos. A segunda foi quão fechada e competitiva era a comunidade de fotógrafos de Atenas, comparada com a de Nova Iorque, diz. “Tenho amigos agora, mas não fui muito bem recebida.”

Agora, Eirini faz parte de um grupo de 36 fotógrafos e dez jornalistas do projecto Depression Era, que quer arquivar tudo o que tenha que ver com a crise económica e fazer um pouco mais: “Temos reuniões, tentamos ser activistas, ver como o nosso trabalho pode ajudar.” E como poderá? “Não tenho a certeza, mas vamos tentando”, diz com timidez. “Estamos a fazer seminários para estudantes. E tentamos mostrar lados diferentes da crise, não só Syntagma e política: lados pessoais ou de arquitectura.”

A sua série de fotografias é de edifícios do Estado entretanto vazios por causa da crise, com que Eirini pretende mostrar um lado um pouco surreal, com algum humor.

Quando se fala desta crescente ideia dos colectivos e da interajuda, ela ri-se um pouco dos problemas que os grupos têm: “Especialmente com mais de 40 pessoas, não é fácil.”

Eirini foi considerada uma das “Ones to Watch” (Pessoas a Seguir) da revista British Journal of Photography, e um dos talentos emergentes da revista online Lens Culture. Talvez seja dos poucos casos em que estar em Atenas, pela ligação emocional que tem com o trabalho, possa ter sido bom a nível de evolução profissional. Ela não sabe. “Não faço ideia o que estaria a fazer agora se estivesse em Nova Iorque”, diz.

Trabalhar directamente com a crise deixa Eirini com sentimentos contraditórios. Se por um lado quer documentar as consequências, por outro lado, “é irónico e triste”. “Tento tratar com tanto respeito quanto possível e não explorar já estas pessoas que estão a sofrer e ainda nos contam as suas vidas.”

A Grécia da crise pode ser uma Grécia mais ou menos pesada dependendo de onde se está. Elias Giannopoulos, o engenheiro das máquinas de 3D, cabelo cuidadosamente despenteado à cientista maluco, tem todo o ar de quem vive imerso naquele mundo, imprimindo peças de máquinas que vão dar origem a outras numa sucessão geracional — “esta é filha daquela e neta desta outra”, aponta — e a imprimir cubos ou figuras com a forma de Yoda, da Guerra das Estrelas.

Elias, que estudou Engenharia Electrotécnica em Glasgow, fez mestrado em Engenharia Biológica em Edimburgo e depois de uma breve passagem pela Grécia de 2006 foi fazer um doutoramento para Barcelona, onde esteve no Event Lab da Universidade “a fazer coisas de realidade virtual e neurociência”. Passaram seis anos até decidir que “era altura de voltar”. Mal chegou, teve uma oferta de emprego em Creta numa universidade onde ainda colabora, mas está sobretudo interessado nas impressoras 3D.

Está contente com a sua escolha, com alguns senãos. De vez em quando, o ambiente pesa: “Por vezes, ficamos todos presos na grande sopa da crise”, diz. “Mas por outro lado há aqui gente com muita energia, que quer mesmo criar coisas e alargar os horizontes das pessoas. E eu tenho pessoas destas à volta. Talvez seja um pouco elitista, por estar rodeado destas pessoas”, diz, antes de sublinhar: “Isto, ainda que todos estejam afectados pela crise, claro, todos nós.”

Profissionalmente, não tem qualquer vantagem em estar aqui, diz. “Isso não é um problema porque nunca me considerei um tipo de carreira, sempre quis fazer coisas que me interessam e em que possa pôr a minha energia.” Na verdade, “a impressão 3D aqui está muito no início comparado com o estrangeiro, por isso há uma certa vantagem em estar cá”.

PÚBLICO -
Foto
Elias Giannopoulos, 36 anos, é engenheiro de máquinas de 3D. “Por vezes, ficamos todos presos na grande sopa da crise”, afirma.

Angelos tem uma sensação parecida: apesar de não haver comparação com o trabalho entre o grande estúdio em Londres e o pequeno gabinete em Atenas, aqui acaba por poder fazer mais coisas de que também gosta.

“A primeira vez que vi o meu nome nos créditos [de um grande filme] fiquei muito contente. Mas, depois de cinco ou seis anos, isso já não interessava.” Especializado em efeitos de água, fumo e fogo, podia passar seis meses a fazer uma cena. “Viram o Harry Potter e a Ordem da Fénix? A Serpente de fogo? Passei seis meses a fazê-la. Seis meses para seis segundos”, conta. “Nem consigo ver o filme!”

Em Londres, Angelos trabalhava muito em pequenos detalhes; em Atenas, tem projectos mais variados.

Lá, o mapa da sua vida estava mais ou menos desenhado, sabia que havia um circuito a fazer: Londres, Vancouver, Sydney, Nova Iorque e São Francisco, os sítios com estúdios dedicados aos efeitos especiais. Há quatro anos já era velho no estúdio e supõe-se que haja alguma rotação. “Queria ficar num sítio de um modo mais permanente.” E havia coisas que nunca eram iguais: “O sentido de humor: podes falar bem, mas ter sentido de humor noutra língua é complicado.”

Haris fala mais do ambiente de trabalho para dizer que prefere estar aqui. Ser arquitecto na Suíça era “espantoso”: “O salário, as condições de trabalho, era muito bom”, diz. Mas, por outro lado, “é um ambiente muito formal que não dá muito espaço para pensar, para ser criativo”.

Pantelis sentiu-se preso num ciclo de crescimento profissional de que teve medo. “Já estava a ver a minha vida lá: fiz a escola de Belas-Artes em Amesterdão, uma residência prestigiada. Se ficasse lá fora, já estava a ver o meu desenvolvimento como artista, uma bolsa de quatro anos, depois uma de oito anos… e depois começas a ficar preso, já sabes como tens de fazer a candidatura para ganhar a bolsa e já não és livre.” Em 2007, pensou voltar e passou um tempo em Atenas. “Não aguentei. Os gregos estavam a sentir-se ricos e a gastar tudo.” Seis meses depois, voltou a ir para fora, África do Sul, Paris. Mas, quando a crise estalou, “não podia estar a ver a crise de fora”, diz. “Claro que isto é político, é o único modo que posso ajudar.”

Há obviamente uma grande diferença do nível de vida: “Não estou a viver o sonho grego. Divido uma casa.” Mas — e sorri antes de dizer o lugar-comum — “sinto-me rico. Saio todas as noites, comunico, colaboro. E trabalho. Na minha idade, isso é o mais importante. Se não trabalhar, não quero viver”.

De vez em quando, confessa inveja de algumas coisas dos países que deixou: “As crianças têm uma educação espectacular, aqui vejo os meus sobrinhos a ir para uma escola estupidificante aprender tudo de cor…”

Angelos sublinha que o principal problema não é o salário. “Ganho menos, claro. Mas a questão não é essa, é quão seguro te sentes. Aqui não te sentes seguro. Não é uma coisa com que se lide propriamente. Vais vivendo com isso, até aguentar”, resume.

PÚBLICO -
Foto
Pantelis Makkas, 39 anos, artista visual que tem trabalhado em teatro. No estrangeiro, sentiu--se preso num ciclo de crescimento profissional

Haris começou a perder a ansiedade de encontrar trabalho que tinha mal voltou e, sabendo que não podia esperar ganhar muito dinheiro nem que tudo fluísse (“nada acontece facilmente aqui”), acha que acertou no timing. “Daqui a cinco ou seis anos, as coisas vão começar a mexer. Agora, é preciso acabar com a instabilidade política, para que a Grécia deixe de ser este país encalhado. Espero que o novo Governo comece a construir. Com método, passo a passo, devagar, devagar.”

Começamos a falar das eleições
Haris ainda não sabe em quem vai votar, mas está entusiasmado com a provável vitória do Syriza (Coligação de Esquerda Radical) e até já pensa em celebrar a primeira vez que poderá haver um governo de esquerda. Eirini não; acha que há poucas possibilidades de algo significativo mudar. Como é meia-grega, meia-indonésia, tem medo sobretudo da força do partido de extrema-direita Aurora Dourada. “Talvez vá votar em alguém para tentar que eles não fiquem em terceiro lugar.”

Elias não se sente à vontade para dizer em quem vai votar, “especialmente em frente a uma câmara”. Não é que tenha alguma consequência, mas é uma coisa que ainda vê como íntima. “Mas não acho que vá votar Syriza. Isso seria sobretudo um voto para que os partidos de direita não ganhem, e acho que não quero votar por medo. Ainda não sei.”

Angelos também está indeciso e não está confiante em qualquer melhoria rápida. “Não há ninguém que possa mudar tudo já. Pode ser muito mau ou menos mau. Acho que se algo mudar não vai ser já nestas eleições, mas talvez nas próximas.”

Pantelis resume assim a sua escolha de voto: “Infelizmente, vou ter de votar no Syriza. Preferia um partido radical anarquista, mas pela primeira vez não sinto que possa votar neles.” Tem “um por cento de esperança” de que algo mude mesmo. Ainda assim vai gostar de ver fora de cenário “estas pessoas velhas” da política grega, “estes que criaram esta dívida e lucraram com a situação e ainda hoje lucram”.

Diz que ele próprio às vezes se sente um pouco velho do sistema. “Há uns miúdos com t-shirts que dizem: ‘Não confies em ninguém com menos de 30 anos.’ Fazem bem. Até eu me incluo aqui. Aceitei trabalhar recebendo dinheiro ilegal, ser pago sem passar recibo, sem pagar impostos.”

Também por isso, acredita Pantelis, “não podemos esperar que venha um partido e mude tudo”. “Nós também temos de mudar, a nossa perspectiva pessoal tem de mudar”, diz, para concluir: “Temos de pensar de um modo mais social. Temos de colaborar uns com os outros — todos os dias.” 

PÚBLICO -
Foto
A crise mudou a sociedade, trazendo uma série de acções de colaboração