Editorial

E agora, Tsipras? E agora, Merkel?

O Syriza foi o claro vencedor das eleições na Grécia. Alguma coisa vai ter de mudar na Europa.

Quando em Maio do ano passado o Syriza venceu as eleições para o Parlamento Europeu, vários líderes na Europa olharam para os resultados na Grécia com a mesma condescendência com que olharam para a Frente Nacional de Marine Le Pen, na França, ou para a vitória do UKIP de Nigel Farage, no Reino Unido; são eleições europeias, são propensas ao voto de protesto. O Syriza veio neste domingo mostrar que não; os partidos de extrema-esquerda e os radicais de direita também conseguem ganhar eleições legislativas na Europa.

O Syriza não só venceu como esmagou a concorrência. A Nova Democracia de Antonis Samaras apresentou como bandeira o facto de a economia grega, depois de tanta austeridade, já está a dar sinais de vida. Mas dizer que o PIB cresceu 0,7% no terceiro trimestre de 2014, quando a queda desde 2009 foi de 25%, não chegou claramente para convencer e animar os gregos.

Os gregos preferiram votar no programa do Syriza, que prometeu o fim da austeridade na Grécia. Resta agora a Alexis Tsipras cumprir as promessas: contratar os funcionários públicos que foram entretanto despedidos, repor os cortes de salários e pensões, aumentar o valor do subsídio de desemprego e do salário mínimo nacional, etc. E, se deixarem, renegociar a dívida.

Alexis Tsipras pode sempre fazer aquilo que muitos políticos fazem, que é não cumprir aquilo que prometeu. Mas, neste caso, todo o discurso do Syriza e toda a sua construção política iriam desmoronar como um castelo de cartas. No discurso de vitória, o líder da coligação de esquerda fez questão de lembrar, e bem, que os gregos não lhe passaram um cheque em branco. Passaram-lhe um mandato para negociar com a Alemanha e com a troika para tentar travar a sangria da austeridade. Mas não será fácil convencer Angela Merkel. Se conseguir, merecerá a alcunha de “Harry Potter” com que Evangelos Venizelos o baptizou.

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