Portugal não está imune ao terrorismo jihadista, avisa novo director do SIS

Na tomada de posse de Adélio Neiva da Cruz, Passos Coelho defendeu “mudança de mentalidades que desmistifique os tabus em torno da capacidade operacional e dos propósitos da recolha de informações”.

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Adélio Neiva da Cruz, 51 anos, é novo director do Serviço de Informações de Segurança Rui Gaudêncio

O novo director do Serviço de Informações de Segurança (SIS), Adélio Neiva da Cruz, alertou esta quarta-feira para o facto de Portugal não estar imune à ameaça jihadista, por muito que o país tenha um grau de ameaça terrorista relativamente baixo.

“Considerando a sua inserção geográfica, as suas alianças, a sua pertença a um vasto espaço de circulação e também o envolvimento de nacionais portugueses com organizações que praticam, patrocinam e promovem o terrorismo jihadista, Portugal não pode considerar-se imune” a esta ameaça, avisou o dirigente das secretas, que tem 51 anos.

“Somos um país com um grau de ameaça terrorista relativamente baixo, classificado de moderado”, admitiu Adélio Neiva da Cruz. “Mas estamos activos na detecção da ameaça e na identificação dos seus agentes, sobretudo na ameaça terrorista internacional com os seus diversos palcos e agentes, geograficamente próximos de nós”, referiu, mencionando os recentes acontecimentos ocorridos em França e na Bélgica.

“Estes atentados provam que estamos perante uma realidade que não é geograficamente estanque e que exige partilha e aperfeiçoamento dos mecanismos de cooperação entre as forças e os serviços de segurança”, acrescentou o novo director do SIS, empossado esta quarta-feira pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

O governante defendeu uma “mudança de mentalidades que desmistifique os tabus em torno da capacidade operacional e dos propósitos da recolha de informações”, como forma de aproximação das secretas à sociedade civil, cuja actuação disse preservar “os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos”.

“Quando a ameaça e a agressão ultrapassam fronteiras geográficas, as respostas terão de ser necessariamente em rede", advogou ainda Pedro Passos Coelho, admitindo, porém, que nesta matéria “persistem resistências relativamente à partilha da soberania” dos Estados-membros da União Europeia.

Adélio Cruz foi escolhido para liderar o SIS, onde já ocupava há um ano o segundo lugar da hierarquia, sucedendo a Horácio Pinto - que apesar de ter participado pessoalmente numa operação destinada a verificar se o presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo, estava a ser escutado pela Polícia Judiciária, acabou por se manter no cargo até ao fim do mandato. Arguido no caso dos vistos gold, António Figueiredo encontra-se actualmente em prisão preventiva por indícios de ter praticado crimes de corrupção, tráfico de influências e abuso de poder. O episódio fez com que o Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa tenha proposto no final de Novembro que todas as operações de varrimento electrónico passassem a ser registadas no sistema interno do SIS, o que não acontecia até ali, com o objectivo de poderem ser escrutinadas.