Acusado de ameaçar vida da ex-mulher e filhos, Carrilho nega tudo

Insultos, pontapés. Um despacho do Ministério Público considera que Carrilho “molestou” não só “física” como “psiquicamente” Bárbara Guimarães. O ex-ministro fala em declarações “escabrosas e dementes”. Apresentadora remete-se ao silêncio.

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Rui Gaudêncio

Manuel Maria Carrilho controlava os movimentos de Bárbara Guimarães. Dizia-lhe que era “um fiasco total”, que ia “acabar” com a carreira da apresentadora de televisão. Uma vez, ergueu-lhe uma faca, disse que acabava com a vida dela, dos filhos e suicidava-se. Tudo isto consta de um despacho de acusação do Ministério Público (MP), mas ao PÚBLICO o professor universitário diz que é “falso”.

Sobre o despacho, avançado pelo jornal i, Carrilho afirma que “as declarações da Bárbara [Guimarães] que o MP assumiu indicialmente, sem prova de nada, são falsas”. “São escabrosas, dementes e, por essa razão, nunca disse uma palavra, nem em sede de instrução, nem em sede de inquérito. Aguardo ansiosamente o julgamento para fazer ver a verdade, que de resto já começou a ver-se com a acusação recente de violência doméstica contra mim [Bárbara Guimarães vai a julgamento por violência doméstica]. Lamento profundamente que ela instrumentalize os nossos filhos com mentiras monstruosas.” A apresentadora preferiu não tecer comentários.

Segundo o despacho, a relação do casal começou a deteriorar-se com o nascimento da filha. Carrilho “começou a controlar os movimentos diários” de Bárbara Guimarães.

Nas discussões, lê-se, usava expressões como: “És uma alcoólica, não vales nada, estás acabada, és um fiasco total, não tens cabecinha para nada, vou acabar com a tua carreira”. Em várias ocasiões, lê-se, houve agressões físicas. Numa delas, o ex-ministro “desferiu um pontapé no corpo”, o que provocou “dores e humilhação” à então mulher. Noutra, Bárbara Guimarães foi empurrada e bateu com a cabeça num puxador. “Em todas as ocasiões, o arguido quis molestar física e psiquicamente” Bárbara Guimarães, “a fim de a fazer sentir-se um ser inferior”, lê-se.

A partir de Janeiro de 2013, a apresentadora começou a pedir o divórcio. Carrilho respondia “aos gritos”. Dizia-lhe que estava “tramada”: “Não penses que te dou o divórcio, primeiro dás-me os cheques que me deves, depois tens que me dar os filhos e só a seguir é que me disponho a falar desse assunto, toma cuidado comigo porque tu não sabes daquilo que sou capaz, nunca perdi uma guerra.” Depois, convencia-a de que “tudo se ia resolver e ficar bem”.

Quando a apresentadora fez anos, fez uma festa. Umas amigas ofereceram-lhe uma cadela. Carrilho chamou-lhes “estúpidas”: “Que ideia mais estúpida, acabaram com o meu casamento, o que é que vos passou pela cabeça”.

Nessa noite discutiram. Carrilho acusou-a “de estar num processo de autêntica decadência” e de “precisar desse tipo de eventos para se sentir jovem”.

O “estado de medo e inquietação em que a assistente já vivia agravou-se”, passando “a evitar estar sozinha” com o então marido, lê-se.

Houve ainda uma discussão em que Carrilho lhe desferiu “diversos socos e pontapés pela cabeça e pelo corpo”. A apresentadora “pegou nas chaves de casa” e ficou “nas escadas do prédio, a chorar e a falar ao telefone” com a cunhada, “que a aconselhou a passar a noite em casa de alguma amiga que estivesse em Lisboa”. Mas, “com receio que o arguido aproveitasse a situação para a afastar dos filhos”, regressou a casa. No despacho, lê-se que, quando a então mulher estava com a filha ao colo, Carrilho pegou numa faca, “com cerca de 30 centímetros de comprimento”, e disse que se o deixasse iria “haver muito sangue”: “Mato-te a ti, mato os nossos filhos e depois mato-me a mim”. De manhã, voltou a falar “num tom calmo e tranquilo”.

Bárbara Guimarães acabaria por, depois de uma viagem do então marido, mudar a fechadura de casa, contratar dois seguranças e meter os papéis do divórcio. com Pedro Sales Dias

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