Houellebecq: “Temos todo o direito a escrever um livro islamofóbico”

Foi na Alemanha, esta segunda-feira, que Michel Houellebecq retomou a promoção do seu novo romance Submissão, que diz não ser islamofóbico.

O escritor voltou a mostrar-se em público num festival literário em Colónia, na Alemanha
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O escritor voltou a mostrar-se em público num festival literário em Colónia, na Alemanha AFP PHOTO / PATRIK STOLLARZ

Esta segunda-feira, no festival internacional literário de Colónia, rodeado por dezenas de jornalistas, incontáveis microfones e câmaras de televisão, relata o Le Monde, o escritor francês iniciou as suas declarações com um preâmbulo em que repetiu o que tem defendido desde a primeira hora: “O meu livro não é islamofóbico”, afirmou, acrescentando de seguida: “mas temos todo o direito de escrever um livro islamofóbico”.

Houellebecq, que surgiu no festival sem especiais medidas de protecção (apenas um “punhado de polícias” estava presente no espaço, escreve o Le Parisien), leu nas grandes manifestações de rua por toda a França, na semana passada, algo “mais simples” que uma união nacional perante os ataques. “Os franceses estão ligados de forma maciça à liberdade de expressão”, declarou.

Submissão, o último romance do tão célebre quanto polémico Michel Houllebecq, imagina a França em 2022, islamizada e dirigida por um Presidente muçulmano. O livro foi publicado no dia do ataque ao Charlie Hebdo, publicação que, nesse mesmo dia, fazia capa com o escritor, que aparecia em inúmeras caricaturas, lendo-se numa delas: "Escândalo! Alá criou Houellebecq à sua imagem!".

No dia seguinte ao ataque ao Charlie Hebdo, Michel Houellebecq falara com o Canal+, mas o canal francês decidiu adiar a emissão, depois das directivas do Conselho Superior do Audiovisual francês, que pedira a todos os media que agissem “com o maior discernimento”. “Sim, sou Charlie. Esta é a primeira vez na minha vida em que alguém que amava é assassinado”, disse o escritor durante a entrevista, com a voz embargada, referindo-se ao amigo e fundador do semanário satírico, o economista Bernard Maris, uma das 12 vítimas do atentado.

O escritor suspedeu então a promoção do romance e saiu de Paris para o campo, numa localização não identificada.