OCDE volta a sublinhar baixas qualificações dos portugueses

País é o terceiro com a mais alta proporção de jovens que não seguem para o ensino superior, revela análise agora publicada aos dados do relatório Educaton at a Glance, que tinha sido conhecido em Setembro.

Alunos dizem temer abandonar o ensino superior por força das consequências da crise
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Alunos dizem temer abandonar o ensino superior por força das consequências da crise Nelson Garrido/Arquivo

Portugal tem a terceira mais alta proporção da OCDE de jovens com baixas qualificações. Na população entre os 25 e os 34 anos, 39% das pessoas não estudaram para lá do ensino secundário. Os dados constam de uma análise publicada esta segunda-feira por aquela organização internacional aos dados do Education at a Glance de 2014 e volta a sublinhar esta realidade e as suas consequências na dificuldade de acesso ao emprego.

Os resultados nacionais estão muito longe da média da OCDE – apenas 17% dos jovens não vão além do ensino secundário no conjunto dos países analisados – e fazem com que Portugal esteja incluído no relatório entre o grupo dos países com “maiores proporções de jovens adultos com qualificações baixas”. Em pior situação que Portugal apenas estão o México e a Turquia – ambas com 52% de jovens adultos que não passam do ensino secundário. Os três países estão novamente no fundo da tabela quando a análise se centra na população mais velha (entre os 55 e os 64 anos): 79% dos portugueses dessa faixa etária não foram além do secundário. Este é o pior registo, a par do mexicano.

Estes dados são destacados no relatório intercalar feito a partir dos dados do “Education at a Glance 2014”, a publicação anual da OCDE sobre o sector do ensino. O documento foi apresentado inicialmente em Setembro, colocando então Portugal como um dos países onde mais tem crescido a percentagem de jovens que não estudam nem trabalham. A partir da mesma informação, os técnicos da organização fazem agora uma análise mais fina sobre as questões do emprego e da escolaridade nos 44 países abrangidos por este este “Olhar sobre a Educação” – os 34 membros da OCDE, aos quais se juntam países de grande dimensão que estão fora da organização como Brasil, China, Índia, Rússia, Arábia Saudita e África do Sul.

O documento, que será apresentado esta segunda-feira, reforça a conclusão que já tinha sobressaído dos primeiros: o desemprego foi a principal consequência da crise internacional em Portugal e nos restantes países sujeitos a medidas de austeridade. Ainda que se tenha sentido de forma generalizada, os portugueses com menos qualificações estiveram mais expostos a este fenómeno, como um crescimento médio anual do desemprego entre a população menos qualificada de mais de 7%, entre 2000 e 2013 – a taxa fixa-se agora nos 17%.