Catalunha com eleições a 27 de Setembro

Acordo entre Artur Mas e a Esquerda Republicana mantém vivo o programa independentista.

Artur Mas anunciou eleições antecipadas para 27 de Setembro
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Artur Mas anunciou eleições antecipadas para 27 de Setembro Josep Lago / AFP

A Catalunha vai ter eleições antecipadas a 27 de Setembro, depois de um acordo alcançado na quarta-feira entre o presidente da Generalitat, Artur Mas, e o líder da Esquerda Republicana (ERC), Oriol Junqueras. O anúncio põe um ponto final num braço-de-ferro entre o Governo regional e os republicanos.

A apenas um dia do final do ultimato dado a Mas por Junqueras para a marcação das eleições catalãs, os dois partidos alcançaram um compromisso para manter vivo o sonho independentista. “Refez-se o pacto de unidade para muitas coisas, mas sobretudo para garantir o processo de transição nacional que culminou a 9 de Novembro”, declarou Mas, referindo-se à data da consulta soberanista.

O interesse de Mas e da Convergência e União (CiU, a coligação no poder) era adiar o mais possível a marcação das eleições, objectivo que conseguiu, embora à custa de algumas concessões. Logo após a consulta de Novembro, a pressão da ERC para acelerar o processo eleitoral intensificou-se, ancorada na percepção de que os republicanos seriam os mais beneficiados nas urnas.

Uma sondagem de Dezembro do Centro de Estudos de Opinião apontava para um empate técnico entre as duas forças políticas. O mesmo inquérito indicava, pela primeira vez desde 2012, uma maioria a favor do "Não" à independência catalã e a luta independentista parecia esmorecer.

Apesar do “sucesso” da consulta, como descreveu Mas na altura, os partidos independentistas não conseguiam a maioria ampla que o presidente da Generalitat sempre pediu.

As divisões entre os sectores soberanistas foram finalmente superadas esta quarta-feira, ao final da tarde, após uma reunião de três horas e meia no Palau da Generalitat entre Mas, Junqueras e alguns líderes de organizações independentistas como a Assembleia Nacional Catalã ou a Òmnium Cultural.

À saída da reunião, Oriol Junqueras salientou que este “é o melhor acordo”. “Permite-nos a todos votar numas eleições definitivas e vinculativas, e este era o objectivo”, acrescentou.

Se Mas conseguiu atirar as eleições para Setembro, não conseguiu, por outro lado, unir a CiU e a ERC numa plataforma comum. Apesar de concorrerem em listas separadas, as duas formações acordaram um programa comum para alcançar a independência, mas cujos pormenores não foram ainda revelados.

A elaboração de um programa de independência unitário será uma das grandes dificuldades dos próximos meses e irá exigir um grande jogo de cintura de Mas, como observa o colunista Joan Tapia no El Confidencial. “Se o plano de rota for hard será difícil manter Durán [Lleida, líder da UCD, um dos partidos da CiU] na frente soberanista e se for demasiado light (para incluir os moderados) é bem possível que a ERC cavalgue por conta própria e denuncie a traição da CiU.”

O Governo central desvalorizou o anúncio das eleições antecipadas e acusou Mas de "não ter nenhum interesse nos problemas dos catalães nem capacidade para os resolver". O secretário de Estado para as Relações com as Cortes, José Luis Ayllón, acrescentou que "a Catalunha não precisa de eleições", mas sim "que se preocupem com os problemas dos cidadãos".

O El País olha para o acordo alcançado entre a CiU e a ERC como mais “uma jogada táctica” de Artur Mas. “Daqui até 27 de Setembro vão acontecer tantas coisas que é preciso ver como estará o espírito plebiscitário que animava o soberanismo até ao 9 de Novembro.”

Aos catalães espera-os um ano intenso em que se vão deslocar às urnas três vezes. Para o final de Maio serão marcadas as eleições municipais — para o mesmo dia há regionais em 13 comunidades —, a que se seguem as de 27 de Setembro, a terceira vez que a Catalunha escolhe o seu governo em menos de cinco anos. Em Novembro são as eleições gerais, para escolher o novo Governo espanhol.

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