Basílio Horta diz que ainda não está nada decidido sobre novo centro comercial

Autarca garante que vai tentar reduzir a área comercial prevista no plano de pormenor da Abrunheira Norte

A decisão de avançar com a urbanização de uma vasta área situada no final do IC 19, entre a povoação da Abrunheira e aquela via rápida, junto a Ranholas, ainda não foi tomada.

Quem o afirma é o presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, que aguarda os resultados da discussão pública concluída no passado dia 9 e assegura que “nada será aprovada” se entender que “a população está contra” o empreendimento.

O autarca disse ao PÚBLICO que a iniciativa de relançar a elaboração do Plano de Pormenor da Abrunheira Norte — abandonada pela câmara em 2010 — não foi da autarquia, mas sim da Sonae (grupo proprietário deste jornal), que é dono de 28 dos 70 hectares abrangidos pelo plano. Para essa área, localizada nas traseiras do edifício das publicações Impala, o promotor prevê a construção de uma grande superfície comercial, com cerca de 35 mil m2, que os críticos do plano acusam de vir a constituir uma barreira de 300 metros de comprimento e nove de altura paralela à Serra de Sintra.

“Vamos ter de ponderar a parte comercial. Vamos tentar descer a área”, afirmou o autarca, sublinhando que a versão actual do plano já permitiu reduzir o total dos espaços comerciais dos 82.445 m2 que estavam previstos até 2010 para os actuais 37.751 m2. “Mas nada disto será aprovado se eu tiver a consciência de que a população está contra e se não acreditar que isto vai melhorar a situação na zona”, acrescentou.

Perante os dados por vezes contraditórios que foram tornados públicos pelo município, Basílio Horta assegura que apenas se prevê a construção de 8.346 m2 de habitação nova (entre 40 e 50 moradias) e não dos 36.630 m2 que constam de um powerpoint divulgado pela autarquia. A divergência, diz, explica-se pelo facto de o powerpoint se referir às novas habitações a construir, mas também a habitações que já existem, mas que não estão legalizadas, integrando uma área urbana de génese ilegal (AUGI). 

Salientando que entre a área bruta de construção inscrita na anterior versão do plano e aquela que está actualmente prevista existe uma diferença, para menos, de 147.582 m2, a autarquia apresenta números segundo os quais a redução incide essencialmente na AUGI. Em segundo lugar, a redução atinge a superfície comercial (82.445 para 37.751) e depois as áreas de serviço, saúde e hotelaria, que passam de um total de 63.000 m2 para 41.173.

Basílio Horta confirma que, por enquanto, ainda só existem garantias de que o promotor do centro comercial quer avançar com o projecto. Quanto aos dois hotéis e à unidade de saúde não há nada de concreto. A câmara gostaria, afirma o autarca, que o espaço destinado à unidade de saúde (14.449 m2) não fosse ocupado por um hospital privado, defendendo antes a construção de um hospital público de rectaguarda que permitisse aliviar o sobrelotado Hospital Amadora-Sintra. O Ministério da Saúde, porém, não deu até agora qualquer garantia nesse sentido.