FBI recomenda que ex-chefe da CIA seja acusado por divulgação de documentos confidenciais

Investigação à actuação do general David Petraeus dura há mais de dois anos e em causa estão documentos encontrados no computador da biógrafa com quem manteve um romance

Foto
David Petraeus e Paula Broadwell ISAF/AFP

A investigação dura há mais de dois anos e em causa estão documentos classificados encontrados no computador de Paula Broadwell, major do Exército na reserva, autora do livro All In: The education of General David Petraeus.

Petraeus é considerado um dos militares mais brilhantes da sua geração. Demitiu-se da liderança dos serviços secretos, que liderava há pouco mais de um ano, em Novembro de 2012, depois da divulgação do caso.

Reconheceu que tinha mantido desde 2011, e durante alguns meses, uma relação extraconjugal com Paula Broadwell, mas alegou que os documentos encontrados no computador da biógrafa não representavam um risco para a segurança nacional. Mais tarde, David Petraeus pediu desculpa pelo "erro" do relacionamento extraconjugal com a sua biógrafa.

O caso foi descoberto a partir de ameaças anónimas enviadas por correio electrónico a Jill Kelley, 37 anos, amiga do general, dizendo-lhe para se afastar dele. O FBI veio a descobrir terem sido enviadas por Paula Broadwell.

Os investigadores concluíram que David Petraeus deve ser acusado mas a decisão de o levar a julgamento caberá ao procurador- geral e responsável pela pasta da Justiça, Eric Holder. O New York Times indica que o general, hoje com 62 anos, terá informado o Departamento de Justiça de que não está interessado num acordo judicial que evitaria um julgamento.

O caso foi conhecido três dias após a reeleição de Barack Obama, que mais tarde afirmou que não tinha tido consequências para a segurança nacional.

A relação entre Paula Broadwell, 40 anos, casada e com dois filhos, e o general, também casado e com dois filhos, teria, segundo o diário norte-americano, começado em Novembro de 2011, dois meses após a entrada em funções de Petraeus na CIA, e terminado em Julho seguinte.

Nos Estados Unidos, o adultério não é considerado um assunto pessoal quando é cometido por altos responsáveis que têm acesso a dados secretos.