Sair do Médio-Oriente: Porquê?

A guerra e o intervencionismo falharam. Vamos dar uma oportunidade à paz (mas sem descuidos pelo caminho)

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Keith Parker/FLICKR

"Eles odeiam-nos por causa das nossas liberdades!".

Este argumento digno de um artista de "stand-up comedy" é várias vezes usado para explicar os atentados terroristas por parte de radicais islâmicos. É uma ideia que, além de ser perigosamente errada, tem feito mais mal do que bem.

A resposta é mais profunda do que isso. É difícil separar o dito "ódio" muçulmano do constante intervencionismo ocidental que tem marcado o último século. Desde o traçar de fronteiras nos idos da I Guerra Mundial (fronteiras essas que, curiosamente, têm sido destroçadas recentemente) até à mais recente intervenção no Iraque, o Ocidente tem intervindo constantemente de forma anárquica, sem um plano consistente.

E daqui nasce o chamado Blowback Effect, cunhado pela CIA e popularizado pelo antigo congressista americano Ron Paul. Imaginemos por um momento que somos ienemitas ou iraquianos. Imaginemos que uma qualquer bomba perdida de uma qualquer nação ocidental nos mata a família, que patrocinam golpes de Estado à revelia da população ou que nos invadem o país, transformando-o num "Estado falhado". Fica fácil perceber a fonte de tanto ódio, não fica?

Junto disto, a radicalização é quase inevitável. O solo fica fértil para Al-Qaedas e ISIS (que já há muito têm tentado arranhar pretextos para convencer a população geral a conquistar terras ocidentais). Porque será que os radicais islâmicos fazem gala em provocar o Ocidente? A Jihad precisa de um inimigo ou não convence ninguém. É estratégia antiga e nós continuámos a cair que nem patinhos.

E desengane-se quem pensa que é só no campo dos atentados terroristas que sofremos.

Os efeitos prejudiciais da guerra

Mas agora que a coisa está preta no Médio-Oriente qual é a solução? Não tomar medidas precipitada que ponham a segurança internacional (ainda mais) em jogo. Seria catastrófico pensar que a retirada total e fulminante levaria à paz.

A ponderação é a chave de qualquer problema, e nas relações internacionais não se pensa que todas as nações e os seus governantes são libertários: há o curto e o médio/longo-prazo.

A curto-prazo é preciso, mais do que envolver os "actores" regionais, passar-lhes o testemunho gradualmente, com apoios regrados e racionais. Alguém acredita que as monarquias sauditas e os aiatolas iranianos queiram os malucos do Estado Islâmico nas suas fronteiras? São os primeiros beneficiados na resolução do problema.

E no médio e longo-prazo? Aí entra a solução libertária. Uma política de livre-comércio, paz e amizade honesta pode dar condições para essas sociedades florescerem, criarem uma classe-média forte e se tornarem fortes parceiros na comunidade internacional. Este é um desígnio que, depois de décadas de intervencionismo falhado, já deveria ser consensual.

A guerra e o intervencionismo falharam. Vamos dar uma oportunidade à paz (mas sem descuidos pelo caminho).