Torne-se perito

Um milhão de Charlie Hebdo vão estar nas bancas na próxima quarta-feira

Responsáveis do jornal satírico garantem que este vai estar à venda para a semana. O Charlie afinal não morreu

A úlitma edição da revsita que está agora nas bancas
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A úlitma edição da revsita que está agora nas bancas BERTRAND GUAY/AFP

Os dois atacantes do jornal satírico anunciaram a morte deste depois de terem assassinado parte da redacção, mas na próxima quarta-feira o Charlie Hebdo estará nas bancas, garantiu um dos seus cronistas, Patrick Pelloux. “Vamos continuar, decidimos sair na próxima semana. Todos concordámos com isso”, disse, acrescentando que o que resta da equipa do jornal deverá reunir-se muito em breve. “Vamos fazer o jornal em nossa casa [a redacção não está disponível por causa das investigações], vamos desenrascar-nos”, afirmou ainda o médico, que apareceu na televisão em lágrimas recordando os amigos desaparecidos. Ao fim do dia, a direcção do jornal Libération fez saber que acolherá a equipa do jornal satírico nas suas instalações "o tempo que for necessário".

“O jornal vai continuar porque eles não ganharam. Charb, Cabu, Wolinski, Bernard Maris, Honoré, Elsa, Tignous, Mustapha, o guarda que foi abatido… não morreram em vão”, garantiu Pelloux. “Charb [o director] dizia sempre que o jornal deve sair custe o que custar.” Richard Malka, advogado do jornal, assegurou, por seu lado, que isso vai acontecer: quarta-feira, o Charlie Hebdo sairá para as bancas com uma tiragem prevista de um milhão de exemplares. 

O chefe de redacção Gérard Biard garantiu também à AFP que “haverá alguma coisa” na próxima quarta-feira. Há muitos desenhadores importantes que sobreviveram, entre os quais Luz, que fez o desenho que levou ao atentado de 2011 contra o Charlie Hebdo, mas também Riss, Riad Sattouf, Willem, Catherine Meurisse e ‘Coco’. 

A imprensa francesa já conseguiu mobilizar meio milhão de euros para garantir a continuação do Charlie Hebdo, sendo metade dessa quantia proveniente do Fundo para a Imprensa e o Pluralismo, e a outra metade do Fundo para a Inovação Digital da Imprensa, financiado pelo Google.  Fleur Pellerin, a ministra da Cultura anunciou mais tarde que "um milhão de euros vai ser desbloqueado" para garantir o futuro do jornal satírico.

“Queriam matar o Charlie. Não só não vão conseguir como o Charlie Hebdo vai renascer mais forte depois desta tragédia”, disse Francis Morel, do grupo francês Les Échos. A Radio France, o Le Monde e a France Télévisions emitiram entretanto um comunicado conjunto oferecendo o seu apoio e “todos os meios necessários para garantir que o Charlie Hebdo continua vivo”. 

De todo o lado surgiram apelos à mobilização. Serge July, um dos fundadores do diário Libération, disse na Europe 1 que apoiar o jornal satírico é “uma questão fundamental”. “Se não foi morto, então é preciso que Charlie Hebdo viva. É preciso dar-lhe os meios para que viva, e protegê-lo, protegê-lo sobretudo em termos de direcção da publicação. É preciso que o conjunto dos jornais, da comunicação social, assuma o Charlie Hebdo e assegure a direcção da publicação do jornal.” A AFP recorda que, com vendas de 30 mil exemplares, o jornal tinha lançado recentemente um apelo a doações.

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