Plataforma informática das bolsas de estudo volta a dar problemas

Documentos aparecem com erros ou incompletos. Erro está a atrasar atribuição de apoios aos alunos.

Cerca de 20 mil candidaturas a bolsas ainda não têm decisão
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Cerca de 20 mil candidaturas a bolsas ainda não têm decisão Daniel Rocha

Uma semana depois de reposta, a plataforma informática usado pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) para gerir os processos de candidatura a bolsas de acção social continua a dar problemas. Parte dos documentos repostos estão inacessíveis e outros aparecem com erros ou incompletos, o que continua a dificultar o trabalho dos técnicos dos Serviços de Acção Social (SAS) das universidades e politécnicos para analisarem as mais de 20 mil candidaturas de estudantes que ainda não têm uma decisão tomada.

Se, até ao passado dia 30, faltavam todos os documentos carregados pelos estudantes na plataforma, agora os erros são mais diversos. Em alguns processos continua a faltar toda a informação anexa, noutros casos os documentos existem, mas estão danificados. Há ainda processos em que faltam apenas parte dos dados, outros em que os ficheiros estão cortados, sobrepostos ou com problemas de formatação. Além disso, os alunos não estão a conseguir anexar novos ficheiros às suas candidaturas no portal.

De acordo com o MEC, as dificuldades relacionadas com o acesso aos documentos digitalizados surgiram como consequência da reorganização do sistema de arquivo que levou ao “apagão” do início do mês. Os problemas “encontram-se a ser analisadas pelos serviços centrais em articulação com os serviços de acção social”. A tutela garante também que, apesar desta situação, estão a ser recebidos requerimentos, adicionados documentos, analisados processos, atribuídas novas bolsas e pagas as bolsas atribuídas. Desde que o problema se começou a verificar, foram comunicadas 7412 decisões sobre pedidos de bolsas de estudo e submetidos 138 novos pedidos, segundo fonte oficial.

O problema de acesso à informação na plataforma informática do MEC começou a verificar-se a 11 de Dezembro. O “apagão” verificava-se no arquivamento digital de documentos entregues pelos estudantes para provarem o seu direito a receber bolsa de estudo, dos quais constam declarações de rendimentos, informação fiscal ou académica, que são dados necessários para a análise dos processos pelos técnicos dos SAS. Depois de 20 dias, a Direcção-Geral do Ensino Superior comunicou às instituições de ensino superior que a situação estava normalizada.

Das mais de 85 mil candidaturas a bolsas apresentadas este ano, cerca de 20 mil ainda não têm decisão e há instituições que têm cerca de metade dos casos ainda por encerrar. São estes processos que os SAS têm ainda que analisar e que, não estando completamente parados, não estão a ser despachados ao ritmo habitual pelas dificuldades de acesso aos documentos necessários em que este erro informático tem resultado.

A persistência da situação levou, esta terça-feira, a Associação Académica da Universidade do Minho a exigir, em comunicado, “a resolução imediata dos problemas da plataforma”, apelando para que o Governo “tenha em atenção a gravidade desta situação” e prepare alterações ao processo a partir do próximo ano lectivo.