Suspeito de homicídio de recluso transferido para prisão de alta segurança

Alegado agressor também é recluso. Estava na cadeia do Linhó, onde ocorreu o homicídio, e passou para Monsanto por questões de segurança.

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Carlos Lopes/Arquivo

O suspeito de estar envolvido na morte de outro recluso esfaqueado no domingo, foi transferido da cadeia do Linhó para a cadeia de Monsanto, um estabelecimento de alta segurança, adiantou ao PÚBLICO fonte dos serviços prisionais. A transferência, ao inicio da noite de domingo, foi motivada por questões de segurança. O alegado agressor estava igualmente na cadeia do Linhó e os serviços prisionais quiseram assim evitar possíveis represálias. A decisão foi tomada pelo director-geral de Reinserção e Serviços Prisionais, Rui Sá Gomes.

Em Monsanto, o suspeito irá ficar numa cela disciplinar, isolado dos restantes reclusos e com apenas um hora disponível para ir ao pátio da cadeia.

A Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais já tinha informado nesta segunda-feira ter identificado o eventual agressor do recluso que morreu domingo no estabelecimento prisional do Linhó, após uma troca de agressões no pátio, e encontrado a arma do crime.

Em nota enviada à agência Lusa, a Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) avançou que foi aberto um “processo de averiguações interno a cargo do Serviço de Auditoria e Inspecção”, que é coordenado pelo Ministério Público.

Segundo a mesma nota, a arma do crime foi um “objecto perfurante de fabrico artesanal” que serviu para matar o homem de 27 anos, natural de Angola, preso por oito anos pelos crimes de burla, falsificação de documentos, furto e roubo.

De acordo com os serviços prisionais, o incidente começou pelas 10h30 de domingo no pátio da ala B da prisão do Linhó, em Sintra, com “uma súbita troca de agressões entre um reduzido número de reclusos, de que resultaram ferimentos num dos intervenientes”.

O ferido foi levado para a enfermaria do estabelecimento prisional por dois companheiros e por um elemento da vigilância, onde foi assistido pelo pessoal de enfermagem que se encontrava de serviço e pelo INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), que foi chamado à prisão, mas que só confirmou o óbito.

Ainda de acordo com os Serviços Prisionais, “é prematuro avançar com a associação da ocorrência a qualquer facto”, enquanto ainda se encontra a decorrer o processo de averiguações.

Segundo a Direcção-Geral, o número de guardas prisionais “tem sido uma preocupação” dos serviços, tendo 238 pessoas concluído o curso de formação em Outubro de 2012, e tendo sido aberto no ano passado um "procedimento concursal" para formação específica na categoria de guarda prisional, com vista ao recrutamento de mais 400 novos guardas.