A música que já vemos quando olhamos para 2015

Belle & Sebastian na pista de dança, ThEE Satisfaction para confirmar o talento anunciado, Father John Misty a bater com a cabeça na parede. Esses (e James Blake) são certezas. Björk, David Gilmour, Kanye West ou Fleetwood Mac são possibilidades. Antecipemos os discos que farão 2015.

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James Blake: O sucessor de Overgrown deve chegar-nos às mãos em Abril e exibir as influências de Kanye West e Bon Iver
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Father John Misty: O ex-baterista dos Fleet Foxes lança I Love You, Honeybear a 10 de Fevereiro
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ThEE Satisfaction: Agendado para 24 de Fevereiro, o regresso das ThEE Satisfaction com EarthEE, em que colaboram com Shabazz Palaces, é uma das grandes notícias de 2015

Os Belle & Sebastian a atirarem-se sem pudor, mas com o charme de sempre, à pista de dança. Father John Misty e Matthew E. White a regressarem para nos mostrar o que andaram a fazer com as suas cabeças cheias de histórias (bem) vertidas em música. As Thee Satisfaction à espera de confirmar, ao segundo álbum, que sim, o groove do hip-hop mutante delas é mesmo especial. James Blake à espera de Kanye West. Uma lenda como Bob Dylan de regresso, Madonna igualmente, David Gilmour, Fleetwood Mac e Björk talvez.

2015 chegou e é tempo de olhar em frente. Entre incógnitas (o que não sabemos ainda se chegará mesmo este ano) e certezas (o que está confirmado), muito há por onde escolher. Ty Segall, um dos mais excitantes talentos rock’n’roll do nosso tempo, não parará. Depois do duplo Manipulator, lança-se em grande a 2015. A 13 de Janeiro chega um EP em forma de dois discos de 7” que, atentem nisto, quando colocados frente aos olhos como óculos, permitirão admirar a arte gráfica em 3D da peça. Duas semanas depois, novo disco: Live In San Francisco (o título explica do que se trata).

Mantendo-nos, esteticamente, nas proximidades de Segall, descobriremos Man It Feels Like Space Again (26 Janeiro), o disco que os Pond, como que banda paralela aos Tame Impala, tinham preparado para lançar há dois anos, antes de decidirem inesperadamente que melhor mesmo seria guardá-lo na gaveta e gravar outro, que viria a ser o recomendadíssimo Hobo Rocket – preste-se igualmente atenção ao garage-rocker desalinhado Hanni El Khatib, que editará Moonlight a 20 de Janeiro e cujo primeiro single, tema título do álbum, é descrito como um encontro entre RZA, Iggy e Tom Waits (pela descrição, vamos mesmo ter de investigar o que aí vem).

Entrando no mundo dos cantautores, 2015 promete. Matthew E. White, o homem formado no jazz que mergulhou na soul e na country da sua terra, os Estados Unidos, para daí extrair esse belíssimo fresco intitulado Big Inner, tem regresso anunciado para 10 de Março e só podemos esperar o melhor de Fresh Blood. Quando a J. Tillman, que em 2012 deixou de ser o baterista dos Fleet Foxes com carreira a solo feita de música dada à depressão para passar a ser Father John Misty, compêndio de folk levemente “psicadelizada” e belissimamente literata (tudo explicado em Fear Fun), tem o lançamento de I Love You, Honeybear marcado para 10 de Fevereiro – Bored in the USA,  uma das novas canções, comicamente trágica, já anda por aí. O novo disco foi produzido por Jonathan Wilson, outro grande cantautor da América moderna (mas com a História toda muito bem processada), e é apresentado como “um álbum conceptual sobre um tipo chamado Josh Tillman [sim, é ele mesmo] que passa muito tempo a bater com a cabeça nas paredes, a cultivar laços frágeis com estranhos e, genericamente, a evitar a intimidade dê por onde der”.

Não imaginamos José González a apresentar-se dessa forma. O sueco de origem argentina, que cativou o mundo sintonizado em música inspirada nas canções de Nick Drake (e uma versão de Teardrop, original dos Massive Attack), é demasiado polido e delicado para tal. Mas talvez o novo disco, Vestiges & Claw (edição a 17 de Fevereiro), o primeiro em sete anos (no intervalo dedicou-se aos Junip), nos mostre um outro lado da sua personalidade. Vem anunciado como menos purista e menos rígido e Gonzaléz declarou ter desejado criar algo entre Shuggie Otis e Simon & Garfunkel. Resta-nos imaginar o que isso quererá dizer. Eis um problema que não teremos perante Laura Marling. A inglesa, uma das mais arrebatadoras autoras e cantoras da sua geração, revela o sucessor do celebrado Once I Was An Eagle a 23 de Março e a apresentação, o single Short movie (com guitarras assertivas, violinos dissonantes "combatendo" a melodia e a voz comandando a canção com mestria), diz-nos que a agora habitante de Los Angeles se prepara para dar novo passo decidido numa carreira até agora admirável.

Quando Laura Marling editar o seu novo álbum, já teremos confirmado, dia 20 de Janeiro, se os Belle & Sebastian se transformaram realmente numa banda com a cabeça a pensar nas  questões de sempre, mas agora através de groove muito exposto e preparado para fazer das suas na pista de dança (é o que indica o single The party line; é o que depreendemos do título Girls in Peacetime Want to Dance).

Incertezas

Quando Laura Marling nos mostrar o que guarda em Short Movie, já teremos mergulhado nas novidades das regressadas e ansiosamente aguardadas Sleater-Kinney (No Cities to Love sai no mesmo dia que o novo álbum dos Belle & Sebastian), já teremos concluído se foi boa ideia uma lenda chamada Bob Dylan gravar um álbum de versões dessoutra lenda chamada Frank Sinatra (Shadows in the Night a 2 de Fevereiro). No final de Março, prossigamos, o mundo já terá analisado como habitualmente as mensagens que se escondem por trás dos títulos, da arte gráfica e das fotos de promoção de Madonna, que anunciou recentemente, depois de uma fuga que expôs on-line 13 canções inacabadas, o lançamento de Rebel Heart, o seu 13.º álbum de estúdio, no qual colabora com Nicki Minaj, os Avicii, Diplo ou Kanye West e do qual já se conhecem dezenas de canções, lançadas apressadamente em resposta à inesperada divulgação online do álbum ainda em preparação.

Daí para a frente, várias incertezas. Björk lançará mesmo o sucessor de Biophilia, que alegadamente prepara com o venezuelano Arca, como declarado na sua página de Facebook ? Os Coldplay darão por terminada a carreira com um disco já com título definido, A Head Full Of Dreams, tal como aludiu Chris Martin em entrevista à BBC1? – “da forma como estamos a abordá-lo, é como que o último livro de Harry Potter ou algo do género”, afirmou o cantor. David Gilmour, depois de Endless River, a despedida dos Pink Floyd, irá presentear-nos com novo álbum a solo? ("Ainda faltam uns meses de trabalho. Espero tê-lo cá fora no próximo ano”, disse o guitarrista à Rolling Stone). E os Fleetwood Mac, regressados às digressões em 2014, cumprirão o desejo do seu baterista e fundador Mick Fleetwood: “Terminámos uma série de canções, dez ou 11”, revelou à Mojo. “Haverá outro álbum desta banda adorável”, prosseguiu. “Tenho essa esperança – certamente até ao final de 2015, esse seria o meu sonho."

Além dos supracitados, outros nomes têm sido destacados na imprensa internacional como tendo actividade discográfica preparada para 2015. Adele e Kendrick Lamar são dois deles. Kanye West é outro e há quem já tenha ouvido, ao bom estilo West, o que aí virá: o actor Seth Rogen contou à Rolling Stone ter passado duas horas numa limousine a ouvir o autor de Yezzus rappar sobre as faixas instrumentais do novo disco. Juntemos-lhe Rihanna (parece que já há título, R8, mas nada mais se sabe) e terminemos por aqui a especulação. Concentremo-nos no que está confirmado.

Dan Deacon lançará a 24 de Fevereiro Gliss Riffer, que o músico sedeado em Baltimore afirma reflectir um regresso a um processo mais simples de composição e de gravação. As THEE Satisfaction oferecem ao mundo, no mesmo dia, EarthEE, em que colaboram Shabazz Palaces ou Meshell Ndegeocello, e do qual já se conhece o single Recognition. James Blake revelou em Novembro que o sucessor de Overgrown estava já “70 por cento completo” e que esperava editá-lo cinco meses depois. Afirmou também confiar que os conselhos trocados com Kanye West se concretizem numa colaboração e que Justin Vernon, ou seja, Bon Iver, participe num disco em que diz ter-se concentrado ainda mais do que anteriormente no ofício da escrita de canções.

Por fim, Giorgio Moroder. A lenda da música electrónica, 74 anos, “ressuscitado” pelos Daft Punk em Random Access Memories, voltará a editar um álbum 30 anos depois. Sairá na Primavera e tem por título 74 Is The New 24. Nele, o mítico produtor rodeou-se de nomes como Charli XCX, Sia, Britney Spears, Kylie Minogue, Mikky Ekko, Foxes ou Matthew Kona. O primeiro single, tema título do álbum, foi apresentado em Novembro – e soa, curiosamente, a uns Daft Punk inspirados por Moroder.